Décio Figueiredo/ Divulgação
Décio Figueiredo/ Divulgação

Comédia e desejo em 'As Bodas de Fígaro', de Mozart

Teatro São Pedro recebe ópera sob regência de Luiz Malheiro

João Luiz Sampaio, Especial para O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2014 | 02h05

O maestro Luiz Fernando Malheiro rege, a partir dessa quarta, 26, sua primeira ópera como diretor e regente titular do Theatro São Pedro, As Bodas de Fígaro. Parceria entre Mozart e o libretista Lorenzo da Ponte, a obra é definida pelo regente como um dos "pontos altos da história do teatro musical". Com direção de Lívia Sabag, a produção tem elenco encabeçado pelos barítono Rodrigo Esteves e Homero Velho e as sopranos Rosana Lamosa e Carla Cottini.

"O título já estava previsto e eu quis manter o que já estava programado na temporada", explica Malheiro. "Até porque é sempre um prazer enorme voltar a essa ópera. Cada vez que você lê o texto, olha a partitura, descobre algo novo, um subtexto. As Bodas estão repletas de ambiguidades no modo como descreve as relações humanas e amorosas."

A ópera foi a primeira colaboração de Mozart com o libretista Lorenzo da Ponte - eles escreveriam também Don Giovanni e Così Fan Tutte. Os dois adaptaram a peça de Pierre Beaumarchais, que faz uma crítica mordaz e bem-humorada às relações sociais entre nobres e servos.

"As três óperas escritas por eles, de certa forma, tratam de temas parecidos. O amor, o modo como se dão as relações, o desejo. Don Giovanni já segue em direção à tragédia, Cosi é mais hermética, mais filosófica. Já nas Bodas, eles conseguem criar uma trama rica e complexa e, ainda assim, talvez esta seja a mais imediata, direta, das três. E é essa dualidade que nos faz poder sempre voltar e voltar a ela, a este universo que me parece inesgotável. Com um detalhe importante neste caso, que é o prazer de poder trabalhar com uma orquestra jovem, interessada nessa jornada pela partitura."

Malheiro relembra do primeiro contato com As Bodas, em gravações de maestros como Carlo Maria Giulinu, Karl Böhm e Ferenc Fricsay. A interpretação de Mozart, no entanto, mudou bastante com o advento da Música Historicamente Informada, que respeita as técnicas e o estilo da época em que as obras foram escritas. "Essas pesquisas mais recentes são fundamentais, é claro. Mas eu sou, como intérprete, toda a bagagem que carrego. E não dá para ouvir uma gravação antiga como a de Fricsay e não reconhecer a sua modernidade, todo o frescor das ideias com as quais ele se aproxima de Mozart."

Apesar de manter o título, Malheiro fez alterações no elenco anunciado pela antiga gestão. "É importante, em uma ópera como essa, ter um elenco não apenas formado por grandes vozes, mas por cantores que combinem do ponto de vista musical e cênico", explica. Rodrigo Esteves vive Figaro, Homero Velho, o Conde, Rosana Lamosa, a Condessa, Carla Cottini, Susana. Como Cherubino, foi escalada Luísa Francesconi; como Bartolo, Sávio Sperandio; no papel de Basilio, Giovanni Tristacci. Membros da Academia do São Pedro interpretam Marcelina (Caroline Jadach), Barbarina (Aymée Wentz e Roseane Soares), Don Curzio (Daniel Umbelino) e Antonio (Eduardo Fujita e André Rabello).

A récita do dia 4 de dezembro terá no elenco apenas cantores da academia. Mas Roseane Soares, que neste dia vai interpretar Susanna, ganhou atribuição extra. Antes de cada uma das apresentações, vai interpretar árias alternativas da personagem. Antes das récitas, haverá também palestra sobre a ópera, com o maestro Luis Gustavo Petri.

AS BODAS DE FÍGARO

Theatro São Pedro. Rua Barra Funda, 171, tel. 3667-0499.

Dias 26 e 28/11 e 4 e 5/12, 20 h; dias 30/11 e 7/12, 17 h. R$ 20/ R$ 60. 

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