Começa hoje o 5.º Chivas Jazz Festival

A 5.ª edição do Chivas Jazz Festival acontece a partir de hoje no DirecTV Music Hall de São Paulo e na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. Entre os destaques, como o pianista Andrew Hill, o saxofonista Bud Shank, o baixista John Ore e o trombonista carioca Raul de Souza, que vive em Paris, e a The Sun Ra Arkestra. Durante mais de 40 anos, o músico Bud Shank tem usado seu saxofone alto como uma espécie de estilete na carne da música norte-americana, obrigando-a a abrigar o novo e o alienígena como parte de uma estratégia de enriquecimento. Em 1957, cinco anos antes da invasão da bossa nova nos Estados Unidos, com o célebre show de João Gilberto no Carnegie Hall, Bud Shank gravou um disco que é tido como o marco inicial da bossa na América: Brazilliance, com o brasileiro Laurindo de Almeida (1917-1995). Aos 78 anos, Bud Shank é, de longe, a figura de maior relevância histórica para a música brasileira no império americano. Ele fará um show com quarteto no Chivas Jazz Festival, na quinta-feira. O clichê é inevitável: esse é um show imperdível. Como o sr. conheceu Laurindo de Almeida? Foi em 1950, na orquestra de Stan Kenton. Ou teria sido em 1949? Eu trabalhei com ele na orquestra até 1951, 1952. Depois, nós nos reencontramos num club do Sunset Boulevard, em Los Angeles. Ele me ligou depois para tocar com ele numa temporada no The Hague e tocamos durante seis semanas. Muitos anos mais tarde, com Ray Brown no baixo e Chuck Flores na bateria, nós formamos o LA Four. Era um trocadilho com LA, Los Angeles, e as iniciais de Laurindo de Almeida. Os jornais americanos, como o The Washington Post, sempre dizem que seu disco Brazilliance, com Laurindo de Almeida, foi o primeiro disco de bossa nova de um músico americano. O sr. concorda? Não sei se é correto dizer que é de bossa nova. Gravamos ritmos folk, tradicionais, com melodias do jazz. Eram apenas ritmos tradicionais brasileiros, como o samba, tocados por músicos de jazz. Acho que Tom Jobim, João Gilberto e Luiz Bonfá foram mais diretamente ligados à bossa nova naquele período. E eles ouviam principalmente Gerry Mulligan e Chet Baker. E depois veio Charlie Byrd, também mais ligado à bossa. O sr. conheceu todos eles? Sim, fui muito amigo de Jobim e Bonfá. Nós conversávamos sempre sobre música e tocávamos juntos. Vi Jobim pela última vez durante as gravações com Frank Sinatra. Também fiz alguns discos nos anos 60 com João Donato, e nós o convidaremos para tocar conosco no Rio, durante o festival. Apesar de sua ligação com a música brasileira, o sr. nunca esteve no Brasil? Sim, estive aí, mas não com uma banda. Estive no Carnaval do Rio, em 1964. Encontrei Jobim, Bonfá, Sérgio Mendes. Também estive em Buenos Aires naquela época. O sr. pretende tocar bossa nova durante seus shows no Brasil? Gosto do feeling da bossa nova, mas acho que tocar O Barquinho no Brasil hoje em dia deve soar meio old fashion, não? Devo tocar alguns temas originais, mais modernos, e também algumas coisas que dizem respeito ao Brasil, como Theme for Jobim (que o músico gravou no disco After You, Jeru, de 1998). Acho mais apropriado. Como foi a experiência de integrar a orquestra de Stan Kenton (1911-1979), nos anos 50? Kenton foi quem me deu a chave para a compreensão da música. Era um grande mestre, um grande professor, além de um maestro e líder de banda. Sempre deu chance aos jovens músicos para iniciarem sua carreira, e os orientava, até que se tornassem livres. Os músicos que vêm tocar com o sr. têm recebido grandes elogios. São mesmo bons? São todos grandes músicos. Billy Mays, o pianista, é de Nova York. Bob (Magnusson, baixista), é de San Diego. O baterista Joe LaBarbera é de Los Angeles, tocamos juntos há um bom tempo. Todos conhecem o Rio, já estiveram lá com outras bandas. Acho que vocês vão gostar deles.

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