Rafael Arbex|Estadão
Rafael Arbex|Estadão

Com o público gastando pouco, o Tomorrowland não teve seus ingressos esgotados como em 2015

Festival chegou à sua segunda edição, apesar da crise econômica e política

Pedro Antunes, ENVIADO ESPECIAL

23 de abril de 2016 | 00h36

ITU - “E ainda dizem que o Brasil está em crise, né?” O bancário Fernando Simão, de 29 anos, ri da própria ironia, sentado em uma das poucas sombras encontradas na gigantesca área do Parque Maeda, em Itu, a 120 km de São Paulo, destinada ao Tomorrowland Brasil. O sol ligeiramente mais ameno nesta sexta, 22, se comparado com a quinta-feira, ainda era determinante para fazer com que cada metro quadrado protegido da luz fosse alvo de uma disputa acirrada. O rapaz dividia um nhoque ao molho bolonhesa, servido em uma caixinha de papel como aquelas usadas para o delivery de comida chinesa, com a namorada, a dentista Karen Gonçalves, também de 29 anos. Ele se dizia estarrecido com os preços estabelecidos nesta segunda edição do festival dedicado à música eletrônica. “Foi o churrasquinho mais caro que eu já comi na minha vida”, comentou ele. O preço era 2,5 pérolas, moeda fictícia criada para ser usada nas intermediações do festival. Cada moeda custa R$ 6,25. O que significa que aqueles nacos de carne espetados em uma varetinha de madeira custam R$ 16,63. “Até a água eu achei caro”, o rapaz diz, como exemplo. “Uma pérola por uma água, ou seja, R$ 6. É muita coisa.” Eles trouxeram uma mochila cheia de bolachas e barrinhas de cereal e querem evitar gastar dinheiro dentro do festival.

O Tomorrowland chegou à sua segunda edição, apesar da crise econômica e política. Durante toda a tarde de sexta, o Estado não testemunhou nenhuma disputa política entre partes contra e a favor da saída da presidente Dilma Rousseff. Ali, as pessoas preferiam viver sob o lema espalhado em diferentes pontos da decoração lúdica do Tomorrowland: “Live Today, Love Tomorrow, Unite Forever” (algo como “viva hoje, ame amanhã, unidos para sempre”). A questão econômica, por sua vez, não era vista por esse prisma de “paz e amor”.

Não é por acaso que os ingressos não se esgotaram em questões de horas, como no ano passado. O bilhete mais barato custa R$ 100 a mais do que em 2015, ou seja, R$ 399. Há ainda opções com valores maiores que incluem acomodações em áreas diferenciadas, com redes e sofás espalhados e a promessa de filas menores para os comes e bebes. Para o casal André e Tamara Fernandes, que deixava a Confort Zone, área diferenciada diante do palco principal do festival, enquanto o DJ Felipe Tampa tocava remixes de clássicos de Adele e Red Hot Chili Peppers em versão de balada, o valor pago vale o esforço financeiro. Eles compraram o ingresso mais caro (R$ 799) para poder fugir da muvuca, banheiros mais limpos e a ausência da terra batida que cobre o chão.

Os dois parecem ser minoria, contudo. A estudante Mariana Maia veio de Minas Gerais para o festival, comprou ingresso para os três dias e se estirava em uma das redes espalhadas pela área do Tomorrowland. Queria descansar as pernas depois de uma quinta agitada, segundo contou. Ela, acompanhada de outras três amigas, caprichou no almoço, para comer pouco dentro do Tomorrowland. Outra tática para gastar pouco: pegar as bebidas dos rapazes mais galanteadores. As quatro dividiram uma porção de batata frita neste sábado, que custou 3 pérolas. “Quem converte, não se diverte”, disse a garota. Neste caso, a título de curiosidade, a porção custou R$ 18,25.

TOMORROWLAND BRASIL

Parque Maeda. Rodovia SP-75, s/nº, Itu. Sáb. (23), 13h/ 23h.R$ 399/R$ 899.

www.tomorrowlandbrasil.com

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