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Com música sobre aborto, banda Carne Doce inicia o lançamento do segundo disco

Trabalho ainda sem título que sucede o disco de estreia foi gravado em São Paulo e chega na segunda quinzena de agosto

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

28 Julho 2016 | 16h48

O batuque da bateria de Ricardo Machado, entrelaçado com a linha de baixo de Aderson Maia, comanda o corpo da vocalista Salma Jô enquanto ela atravessa por um túnel comprido de Campinas, em São Paulo. Com os ensinamentos da coreógrafa Gabriela Branco, a dona da voz da banda Carne Doce, revelação da prolífera nova música de Goiânia, sacode, em um transe de ritmo. Na novíssima canção, chamada Artemísia, Salma grita pela liberdade: “Não vai nascer / Porque eu não quero / Porque eu não quero e basta eu não querer”

Assim, o grupo formado ainda por João Victor Santana Campos (guitarra e sintetizador) e Macloys Aquino (guitarra), o Mac, dá início ao novo trabalho, sucessor de Carne Doce, o álbum, que despontou em 2014 e já se colocou entre os ótimos discos de música brasileira dessa atual década. O vídeo foi produzido pela Mutu e pode ser assistido abaixo.

O segundo álbum, ainda sem nome, será lançado na segunda quinzena de agosto. Gravado em São Paulo, no estúdio Red Bull Station, localizado no centro da cidade, o disco “tem uma pegada feminina bem forte”, explicou Mac a respeito da nova safra. A musicalidade da banda, garante o guitarrista e marido de Salma, explorará sons regionais.

Artemísia é sombria, ou “escura e pesada”, como Salma a classifica. E não há medo do risco. A banda, na letra escrita pela vocalista, coloca o dedo na ferida que é o tema do aborto, da liberdade feminina de escolha em manter o feto ou não. Uma questão, a legalização do aborto, que deve ser discutida.

E o Carne Doce traz o tema com a voz poderosa de Salma, uma grande ambiguidade sonora. É ora crua, ora cristalina. Ora erudita, ora popular. Ora estranhamente linda, ora lindamente estranha. Assim como Salma dança, as guitarras de Mac e João Victor também bamboleiam com riffs que parecem ter se perdido no Norte do País e acabaram por chegar no cerrado goiano. A temática carregada do primeiro single, embora não se espalhe pelo restante das canções do disco, escancara a figura feminina de Salma, que se sobressairá ainda mais no trabalho. “(É uma música que) sinaliza minha dominância nas letras”, explica Salma. “Talvez ela tenha sido a letra mais arriscada que fiz até aqui, ainda assim acho que ela representa bem o nosso espírito, o nosso humor. Ela representa mais uma continuidade na construção da nossa identidade.”

Ao fim da canção e do vídeo, Salma termina a travessia do túnel datado de 1918 ofegante. Busca pelo ar. E é só o começo para o Carne Doce. A banda, aliás, se apresenta neste sábado, 30, na Casa do Mancha, na Vila Madalena, a partir das 20h. A entrada custa R$ 25. 

 

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