FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Com mais PMs e guardas na rua, Virada registra 81% menos roubos que em 2014

PM ainda não compilou totalmente as informações do evento

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2015 | 12h01

A Polícia Militar registrou oficialmente somente quatro casos de roubo na Virada Cultural 2015. O número é 81% menor do que em 2014, quando 21 ocorrências foram registradas. Além disso, só um furto foi identificado pela PM, ante 4 na edição anterior. No total, 73 pessoas foram detidas ao longo do evento, que teve início às 18h do sábado e foi até às 20h de domingo.  Em 2014, foram 108.

O dado, no entanto, pode estar subnotificado, já que a PM ainda não compilou totalmente as informações do evento. Além disso, muitas ocorrências não são registradas, já que nem sempre a vítima apresenta queixa. A reportagem do 'Estado' flagrou um roubo de mochila e smartphone logo nos primeiros minutos da Virada, no Vale do Anhangabaú, feita por dois adolescentes. Eles bateram em um estudante de 21 anos, que teve ferimentos leves no rosto, e levaram os itens.  O caso não foi registrado.

A edição 2015 da Virada teve 200 policiais a mais do que em 2014, com 3.400 PMs nas ruas, além da adoção de uma metodologia diferente, que estendeu o efetivo no horário crítico (das 23h de sábado às 4h de domingo), além de mais circulação de viaturas pelos corredores entre um palco e outro.

Segundo a PM, além dos roubos, todas as outras ocorrências tiveram diminuição neste ano. Houve uma arma apreendida, contra seis em 2014. Tráfico de drogas teve cinco casos registrados, ante 27 em 2014. Uma lesão corporal foi registrada (briga), três a menos do que em 2014. Não houve nenhum registro de violência grave, sendo que em 2014 foram registrados casos de esfaqueamento e de pessoas baleadas.  Houve ainda um procurado pela Justiça encontrado, contra 3 no ano passado.

A Guarda Civil Metropolitana (GCM) também apresentou dados de queda. Segundo o secretário de Segurança Urbana, Ítalo Miranda Junior, foram apreendidos, no total, 28 mil itens ilegais, 30% deles bebidas. A GCM também apreendeu uma arma, além de 306 porções de drogas- lança-perfume, crack e cocaína. Nove foram detidos pela guarda e dois adolescentes, apreendidos.

Para o comandante geral da GCM, Gilson Menezes, a diminuição de casos foi fruto de uma relação maior entre as instituições. "Houve uma relação muito estreita entre a Guarda Civil e a PM. Não tivemos sobreposição de espaços, muito pelo contrário. Houve compartilhamento de território", disse.

O comandante do policiamento da capital, Reinaldo Zychan, destacou também o funcionamento da Sala de Crise, uma espécie de central de videomonitoramento acompanhada pelas autoridades municipais e estaduais em casos de eventos de grande porte ou emergências no município.

Outra hipótese para a diminuição da violência foi a diminuição de público. Neste ano a Secretaria Municipal de Cultura não informou estimativa de pessoas no evento, nem a PM. Segundo o secretário municipal Nabil Bonduki, que reconheceu movimentação menor durante a madrugada, não há uma metodologia precisa que possa mensurar o número de pessoas que participaram do festival.

AVCB. O coronel Zychan afirmou durante a coletiva que a Prefeitura não entregou o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) para nenhum dos 27 palcos do evento. O documento prevê normas de segurança em eventos como a apresentação da planta dos palcos, o nome do engenheiro resposável pela parte elétrica, as rotas de fuga e a apresentação do projeto como um todo. A falta do laudo motivou a PM a entrar com um requerimento no Ministério Público Estadual (MPE) pedindo o cancelamento dos eventos no Minhocão, o que acabou sendo feito por um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Os outros palcos, no entanto, continuaram sem o documento, segundo Zychan, que disse que no ano passado estes laudos também não foram apresentados.

Em nota, a Prefeitura afirmou que a empresa responsável pela montagem da infraestrutura da Virada, a SPTuris, "providenciou toda a documentação necessária e deu entrada para obtenção do AVCB, incluindo a Anotação de Responsabilidade Técnica do engenheiro resposável pelo projeto dos palcos". A gestão não confirmou, no entanto, se conseguiu o documento a tempo para a realização do evento. Segundo a PM, o prazo para obteção do AVCB é de cerca de sete dias.

A Prefeitura ressaltou que "não houve nenhuma solicitação contrária à montagem dos demais palcos" por parte do Ministério Público ou da PM. Lembrou ainda que a estrutura prevista contou com uma brigada de incêndio para cada palco.

Redes sociais. Levantamento feito pela ferramenta Scup, que faz análise de mídias sociais, constatou que os internautas consideraram o segundo dia da Virada Cultural mais seguro. Menções sobre segurança, furtos, arrastões e assaltos chegaram a 854 no sábado, enquanto no domingo foram 164 citações. 

Os shows foram os mais comentados nas redes sociais - 18% dos posts avaliados faziam menção às apresentações. As atrações mais comentadas, na sequência, foram: Caetano Veloso, Nando Reis, Emicida, Daniela Mercury e Tiago Abravanel.

O levantamento considerou 37,6 mil menções à Virada nos dois dias do evento, e analisou as redes sociais Twitter e Instagram.

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