José Patrício/AE
José Patrício/AE

Com 'Emoções Sertanejas', 'Rei' recebe astros do gênero

Zezé & Luciano, Victor e Leo, Elba e Dominguinhos emocionam o público em show no Ibirapuera

Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo,

18 de março de 2010 | 17h22

A noite era estrelada, 18 atrações da música sertaneja revezando-se no palco e 9 mil pessoas excitadas, comendo churros, cachorros-quentes e pipoca, derramando-se pelos seus ídolos e fotografando mezzo celebridades, como Roberto Justus e Leão Lobo. Mas, no fim, quem emocionou todo mundo no megashow Emoções Sertanejas, anteontem à noite no Ginásio do Ibirapuera, foi um senhor de 90 anos, mito da canção nacional.

 

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"Você faz 50 anos de carreira. Eu faço 75 anos", disse o senhor bonachão que veio do fundo do palco e foi abraçado longamente por Roberto Carlos já no fim da jornada. "Quero ocupar esse menino, não quero que ele se estrague", brincou, zombando do anfitrião. Tratava-se do compositor e violeiro José Perez, o Tinoco, que formou com o irmão João Salvador Perez (Tonico), uma das mais importantes duplas caipiras de todos os tempos, Tonico & Tinoco. Tonico morreu em 1994.

 

‘Parma’. Tinoco, com saúde delicada, foi incluído no programa de última hora e chamado ao palco por Roberto Carlos para receber uma placa celebratória. Tomou conta do microfone. "Agora quero todo mundo batendo ‘parma’ para esse homem, porque ele tem um coração do tamanho do mundo. Ele faz as coisas e não anuncia. Gente boa como você eu chamo de filho", disse Tinoco, sugerindo que é beneficiário de uma "mesada" de Roberto.

 

Emoções Sertanejas, o show, foi um sufrágio da vontade popular. Todo o espectro da música dos interiores estava ali, mas havia preocupação em dar um banho de loja no gênero. Do teto do ginásio, pendia uma estrutura metálica redonda adornada com néon, como se fosse uma roda de carroção high tech. Os lendários Milionário e Zé Rico, com todas as suas correntes de ouro e o overacting característicos, fizeram bonito em A Distância, que abriu a noite, às 21h45. Victor e Leo, sertanejos que usam jeans Diesel vintage e têm cara de galãs de novela, cantaram Jesus Cristo, provocando histeria feminina. Chitãozinho e Xororó (vestido como um dos Beatles em 1963) juntaram-se a Leonardo para cantar É Preciso Saber Viver, turbinada por solo de slide guitar.

 

O problema maior é que os arranjos não foram pensados para dar um equilíbrio entre as vozes complementares das duplas, e muitas vezes só um cantava, o outro ficava segurando o microfone no palco - sofreram com isso César Menotti e Mariano e Rio Negro e Solimões. Zezé Di Camargo e Luciano cantaram O Portão (melhor dueto da jornada, com Gian e Giovanni em Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo). Bons números musicais surgiam de encontros inusitados, como o de Paula Fernandes, de vestido de novela de época, e o sanfoneiro Dominguinhos, de chapéu de couro branco. Eles cantaram Caminhoneiro como aboio sertanejo. Martinha teve até sua chance ao piano. Leonardo e Roberta Miranda encarnam a própria essência da música sertaneja urbanizada, melodramática.

 

Honra. Almir Sater, mortalmente tímido, cantou delicadíssima versão de O Quintal do Vizinho com sua viola mato-grossense. Elba Ramalho, com vestido digno de Björk, engoliu a concorrência com Esqueça. "Para a menina que aos 14 anos tocava rock e Roberto Carlos lá no sertão da Paraíba, é uma honra poder dividir o palco com ele."

 

"O que dizer? Receber esta homenagem de astros e estrelas da música sertaneja? Melhor cantar, senão eu choro", disse Roberto, que chegou a dizer que Cavalgada, clara metáfora sexual, tinha a ver com o universo dos cavalos. No fim, cantou Um Milhão de Amigos rodeado por todos seus convidados, e não resistiu: colocou um chapelão de caubói e assumiu pose definitiva de O Rei do Gado.

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