Alec Frago/Pagos
Alec Frago/Pagos

Com clássicos do Bon Jovi, Richie Sambora faz show emblemático em São Paulo

Guitarrista mescla bem o repertório e não se esquece dos hits de sua ex-banda

João Paulo Carvalho, O Estado de S.Paulo

10 Julho 2016 | 22h45

Richie Sambora tem alma de garoto. Às vésperas de completar 57 anos - ele faz aniversário nesta segunda, 11 - brinca com a guitarra como um menino brinca com a bola. Ao lado da australiana e namorada Orianthi, mostrou o porque é considerado um dos guitarristas mais virtuosos da história do rock. O set do show deste domingo, 10, na área externa do auditório Oscar Niemeyer, no Ibiraquera, no Samsung Best of Blues, foi de Michael Jackson a Bon Jovi, sua ex-banda. Richie solou como nunca e até surpreendeu aos mais desavisados com uma voz impecável. Poucos dias depois da catastrófica performance de Jon em uma festa de casamento nos EUA, Richie, ao contrário do ex-parceiro, mostrou que o tempo lhe fez bem. Pelo menos nos quesito musical. A verdadeira joia do Bon Jovi esteve bem atrás daquela guitarra durante todo este tempo. Sorte de quem assistiu a isso ao vivo.

O show, que, em determinado momento, esfriou devido ao repertório pouco conhecido do público, triplicou de status quando Richie tocou Wanted Dead or Alive. A performance animou a plateia, que cantou em coro, e viu Richie solar de maneira esplêndida. O guitarrista parece encaixar a melhor nota no tempo certo. Se erra, quase ninguém percebe. Sem o menor esforço, faz mágica com as seis cordas. "Vocês estão muito longe. Quero vocês mais pertinho para cantar essa comigo", disse antes de dedilhar os primeiros acordes de I'll Be There For You. A balada embalou casais apaixonados e fez muito marmanjo se emocionar no Ibirapuera.

A maior virtude de um músico talvez seja saber o melhor momento para brilhar. Richie tem ciência disso e, justamente por esta premissa, dosa tão bem seu estrelismo. Deixa Orianthi tocar e cantar à vontade. Por alguns momentos, aceita a condição de coadjuvante e não vê o menor problema em relação a isso. "Pessoal, amanhã é aniversário do Richie. Vamos dar os parabéns", brincou a simpática guitarrista e namorada que mostrou a que veio ao solar de maneira quase perfeita.

Em These Days, outro clássico de Bon Jovi, Richie fez uma introdução poderosa, com direito a riffs pesados. O chapéu de cowboy abriu mão, mais uma vez, para Orianthi, que não decepcionou e executou o solo final da canção com maestria. Ao final da performance, uma coisa ficou clara. Jon sente muito mais a falta de Richie na banda do que Richie a de Jon. Ate porque Richie é um músico mais completo. Sorte de Richie? Não. Azar dos fãs, para ser mais preciso. Até porque falta algo ali, embora o show deste domingo tenha sido quase perfeito. Jon e Richie possuem uma química rara no mundo do rock. Algo como John e Paul, Slash e Axl ou até mesmo Keith e Mick. Resta saber se essa parceria vai, algum dia, voltar a se repetir. Algumas preces podem ajudar.

 

 

 

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