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Cohen-Solal debate e esquenta a pista

Cérebro do Gotan Project discute casamento entre música e imagem e ataca de DJ na pista do Da Leoni, na Augusta

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

03 de dezembro de 2013 | 21h13

Começa nesta quarta, 4, e vai até o dia 8 a primeira SIM (Semana Internacional de Música) de São Paulo, um evento inspirado em conferências internacionais como o MaMA Festival de Pigalle e Montmartre, em Paris; o South By Southwest (Austin, Texas); e o The Great Escape (Brighton, Inglaterra), entre outros. Idealizado para fomentar o debate, o evento tem 20 painéis de palestras e debates, 12 horas de rodadas de negócios, workshops, exposições, mostras audiovisuais e cerca de 50 shows pela cidade, em locais como Praça das Artes, Galeria Olido, Cine Joia, Riviera, Baixo, Da Leoni, Red Bull Station e Anexo B.

Uma das grandes estrelas do evento é o produtor, músico francês Philippe Cohen-Solal, cérebro do grupo franco-argentino Gotan Project. Cohen-Solal vai fazer um DJ set no Da Leoni no dia 6, sexta, às 2h da manhã. Na quinta, o francês participa de um debate gratuito no Cine Olido, às 15h, ao lado de VJ Spetto, Pedro Zaz, Marcos Hermes e sob mediação de Gaia Passarelli. O tema é A Contribuição da Estética Visual na Constituição da Identidade Musical.

“O Gotan Project não seria o que é sem a parte visual. É indissociável de nossa proposta musical, é a partir daí que nós comunicamos as emoções para as pessoas. É como um filme ao vivo”, disse Cohen-Solal ao Estado, falando por telefone desde Paris. Segundo ele, sua palestra focará na convocação dos recursos audiovisuais e da cenografia “para trazer a plateia para um tipo de viagem sensorial”.

Claro que, para uma banda famosa, é muito mais fácil do que para os novos grupos, e isso também deve ser abordado no debate. Não só o sistema de produção e distribuição de música mudou radicalmente no mundo. O próprio universo do vídeo musical, que teve seu auge industrial com a MTV nos anos 1990, praticamente migrou para a internet, onde o artista da música tem dificuldade em captar recursos para produzir e filmar seu trabalho.

Cohen-Solal diz que hoje, na França, muita gente da música está tendo de mudar de profissão e manter a música como um hobby, por causa da nova circunstância tecnológica e econômica do mercado. “Os músicos estão em perigo. Havia sempre dinheiro para os vídeos, hoje não há mais. Não há como sobreviver. Isso só vai mudar quando as pessoas entenderem que têm de pagar por um disco. Um disco pode mudar as suas vidas, como alguns discos mudaram a minha. É como ir a um restaurante: você tem fome, quer comer, e paga por isso. Mas tenho certeza de que vamos sobreviver. Por enquanto, estamos perdidos no espaço”, afirmou.

Já o DJ set de Philippe Cohen-Solal não é algo novo no Brasil: o músico já apresentou seu lado de pista no Brasil há 10 anos, numa das festas Red Bull Academy, e também discotecou no Rio e em Brasília. “O meu set é sempre eclético, e também muito específico. Busca a mesma vibe do Gotan Project, mas com outras músicas que não as do grupo, que tanto pode ser uma cumbia digital quanto sons de rua de diversas partes do mundo. Sempre com muito vocal e pegada alegre. Um truque de pista é manter sempre a plateia dançando”, afirmou Cohen-Solal.

O Gotan Project vive uma pausa em suas atividades como uma banda, mas não na música. Todos estão trabalhando em projetos paralelos. Cohen-Solal acabou de produzir Talé, o novo disco do papa malinês Salif Keita, que ele conheceu em 2010 e de quem se tornou amigo. “O que eu fiz com Salif, basicamente, foi o mesmo que eu faço com o Gotan: manter as raízes, e trazer as raízes para a eletrônica. Não tento apagar, mas destacar. A música africana é minimalista e ao mesmo tempo muito prolixa, todo mundo toca um monte de coisas, há muitos sons. Eu procurei concentrar um pouco o som, fazer uma coisa mais spacey”, disse Cohen-Solal.

Ele foi fazer a gravação em um estúdio em Bamako, no Mali. O País está envolvido em uma crise política. “Salif Keita tem uma estação de rádio na capital, é muito envolvido com a vida do País. É superimportante, as pessoas acreditam nele. Mesmo que ele não queira ir até a política, a política vai até ele”, brincou.

Os outros dois elementos-chave do Gotan Project, Eduardo Makaroff e Christoph Müller, estão em turnê nesse instante com a veterana cantora Catherine Ringer, de 56 anos, do grupo Les Rita Mitsouko – juntos, formaram um side project chamado Plaza Francia.

“Passamos um ano fazendo um disco, mais três anos excursionando. Esses projetos paralelos são importantes para refrescar a criatividade, exercitar em outras direções. Isso é bom para o Gotan”, analisa o músico.

 

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