Clube da Esquina vira museu em Minas

Em "um dia qualquer" de novembro do ano passado o letrista Márcio Borges comentou com a mulher, Cláudia Brandão, que gostaria de passar os últimos anos de sua vida como os primeiros. Se referia ao tempo em que era parceiro de Milton Nascimento e depois do irmão Lô Borges e outros artistas mineiros num movimento musical que ficou conhecido como Clube da Esquina. Em tom de brincadeira, ela recomendou ao marido que fundasse um museu. Pois naquela noite ele sonhou que estava num antigo bar em Belo Horizonte, nos anos 60, com o amigo Bituca, cercado de documentos, objetos, manuscritos, fitas de gravação, vídeos e fotos que marcaram a trajetória de uma trupe composta ainda por nomes como Beto Guedes, Fernando Brant, Ronaldo Bastos, Toninho Horta e outros. Borges acordou determinado a perpetuar o movimento fundado há mais de 30 anos na esquina das ruas Divinópolis com Paraisópolis, no bucólico e boêmio bairro de Santa Tereza. O primeiro passo para a criação do Museu do Clube da Esquina foi dado na semana passada, com a criação de uma associação de amigos, reunindo a maior parte dos músicos em um bar da capital mineira. "É algo que, literalmente, nasceu de um sonho", destacou Borges. Segundo ele, a primeira etapa do projeto já está traçada e consiste no levantamento do acervo imaterial dos envolvidos, além da criação de um endereço eletrônico. O trabalho inicial será gerido em parceria com o Museu da Pessoa, em São Paulo, especializado na implantação de museus virtuais, a partir de projetos de memória oral. A coleta já teve início com a gravação de depoimentos do casal Salomão e Maricota Borges, pais do clã musical. Nos próximos meses, trabalhos semelhantes serão realizados em Belo Horizonte, Rio e Três Pontas, cidade de Milton. O projeto inclui ainda, até julho deste ano, a realização de palestras batizadas de "Museu Vivo do Clube da Esquina", para estudantes de música, ONGs da área cultural e escolas públicas; a montagem de duas cabines de captação de depoimentos, na capital mineira e em São Paulo, além de um encontro temático, reunindo protagonistas daquela trajetória musical. A fase inicial, no valor de R$ 600 mil, está sendo patrocinada pela Petrobrás. A idéia é que o Museu ganhe um espaço físico em 2005. "A parte mais bacana disso é a parte viva, que é poder transmitir isso que a gente aprendeu ao longo da vida para as novas gerações, principalmente as mais desprovidas", diz Borges.

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