Clint Dempsey faz tabelinha entre rap e futebol

"Haters want to hate but man I?mfeeling great, thanks to soccer I?m round more ice than a hockeyskate." Quem canta o rap acima é o MC Clint Dempsey (dividindoos vocais com o rapper Big Hawk, lenda do hip-hop de Houstonassassinado no dia 1.º de maio num tiroteio, saindo da casa de umamigo). Numa versão esforçada, a canção fica mais ou menosassim: "Odiosos só querem odiar, mas, mano, eu estounoutra/Graças à bola eu empilho mais gelo do que um patim dehockey na rampa." Tudo muito normal, tudo muito trivial, não fosse o fatode que Clint Dempsey é titular do meio-campo do time dos EstadosUnidos na Copa. Nesta quinta-feira, às 11 horas, ele busca aclassificação de sua esquadra para as oitavas-de-final contra aseleção de Gana. Dempsey (ou Deuce, que é seu apelido dado pelos manos deNagodoches, Texas, de onde ele saiu) faz sua rima e sua cara demau na música Don?t Trend, faixa de um disco de hip-hop que aNike produziu - há também um videoclipe com Dempsey batendo bolaproduzido com o intuito de difundir o futebol entre os fãs dogênero (que preferem outros esportes). "Tenho certeza que as pessoas que ouvirem a música vãodizer: agora quero ver qual é a do futebol", disse Deuce após otreino do seu time em Hamburgo, na semana passada. "As pessoasque só vêem futebol e nunca se ligam nesse tipo de música vãodizer: uh, deixe-me checar esse som. Acho que é bom para juntarpessoas e é por isso que eu gravei", disse. Na canção, Deuce fala sobre como adora jogar futebol equão longe sua paixão o levou, de menino pobre à consagração nosgramados da Alemanha. Garotas, carros, periferias e Big Hawkcantando no meio da rua completam a cena. Ele não faz feio nemnas embaixadinhas nem no dueto com Big Hawk, este, sim, umrapper cabuloso. Nos EUA, o pessoal de hip-hop não gosta de futebol, achaque é coisa de riquinho (ao contrário do Brasil). Gostam debasquete, futebol americano, coisas do tipo. Para combater essaimagem, os americanos encontraram em Dempsey o garoto-propagandaideal.Segundo dados da Recording Industry Association of America(RIAA), cerca de 13% dos discos vendidos nos Estados Unidos em2005 eram de hip-hop, um universo de cerca de 100 milhões deunidades (na pesquisa, outros 10% eram de R&B, gênero limítrofeao rap; 31% eram do pessoal do rock, 12% do country e 8% do pop). Para convencer a nação do hip-hop, só com um mano, pensaram.

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