Clapton abre hoje série de shows no Brasil

Ele conta que se apaixonou pelo somda guitarra quando tinha 13 anos e ouviu pela primeira vez BuddyHolly tocando That´ll Be the Day. "O som da guitarrarepresenta a voz humana em seu caminho mais anônimo, maisespiritual, um atalho direto para o coração", diz Eric Clapton,de 56 anos, em texto que escreveu para o livro "Guitar", deRichard Chapman (Dorling Kindersley United, 2000)."Eu amo e tenho amado todos os tipos de música, dosragas de Bismullah Khan à segunda linha de trucagens deProfessor Longhair, mas o som que me faz a cabeça é a música daguitarra", afirma Clapton, apelido Slowhand (Mão Lenta, pelaforma insidiosa com que dedilha as cordas). É esse incondicionalartesão de um instrumento mítico da música popular que se apresenta nesta quarta-feira em Porto Alegre e amanhã em São Paulo.A turnê Reptile transporta para o palco todos osEric Claptons que a platéia conhece ou conheceu algum dia. Estálá, por exemplo, o roqueiro pioneiro que, nos anos 60,arquitetou seus primeiros - e mais sólidos, segundo ele mesmoadmite nos dias de hoje - passos na estrada.Esse Clapton ancestral comparece nas canções que eletornou eternas com as bandas Derek and The Dominos (caso deLayla, de 1970) e Cream (caso de Badge, de 1969).Aparece o astro de trânsito fácil por caminhos transversais,aquele que gravou com George Harrison, no disco Goodbye(1969).Mas também estará no palco o dependente químico, oClapton problemático que quase ficou perdido no meio dos anos 70- sem nenhum problema por repisar o passado. Dessa época sãoWonderful Tonight e Cocaine, ambos de um disco clássico,Slow Hand (1977).As boas parcerias aparecem já no começo do show. Eleabre a noite com Key to the Highway, registrada no recenteRiding with the King (Warner/Reprise Records, 2000), umaviagem musical em 12 canções com o imperador do blues, B.B.King. É uma seção unplugged do artista, que fica sentado em umacadeira e ilustra um pouco do seu conceito acústico, algo queconsidera fundamental na carreira de um músico.O amante das mulheres belas, romântico e conquistador,comparece em várias canções, como Layla. Mas é em Have YouEver Loved a Woman que ele demonstra mais habilidade nessemétier, um dos grandes momentos do show. Ele tem uma especialpredileção por essa canção, que gravou em Derek and the Dominos- Layla & Other Assorted Love Songs (1970), E.C.Was Here(1975), Backtrackin´ (1984), Crossroads (1988) e 24Nights (1991).No final, sua versão muito particular, limpa edesglamourizada de Somewhere over the Rainbow, clássico navoz e no filme com Judy Garland (O Mágico de Oz). Mas que jáfoi gravada também por Jimi Hendrix, Tony Bennett, Chet Baker,Clark Terry, Earl Hines, Mal Waldron. Ele se despede com algohiperconhecido, mas que adquire, no seu estilo, uma novaconformação. Clapton é, em si mesmo, uma linguagem.

Agencia Estado,

10 de outubro de 2001 | 17h37

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