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Ciro Pessoa, um dos fundadores dos Titãs, morre aos 62 anos, vítima de covid-19

O músico lutava contra um câncer quando contraiu coronavírus, segundo integrantes da banda

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2020 | 11h18

Um dos fundadores dos Titãs, o cantor, compositor e músico Ciro Pessoa morreu aos 62 anos, na madrugada de terça, 5. “Hoje, perdemos Ciro Pessoa, amigo querido e membro da formação original dos Titãs. Muito triste com tudo isso...”, lamentou Sergio Britto, em seu Instagram.

De acordo com Isabela Johansen, ex-mulher de Pessoa, ele “estava lutando contra o câncer, e nas idas e vindas ao hospital, acabou contraindo covid-19. Foi internado, mas infelizmente não resistiu”, escreveu em sua rede social. “O corpo será cremado e, assim que essa fase chegar ao fim, faremos um grande show em sua homenagem, pois é isso o que ele queria.”

Nascido em São Paulo, em 1957, Ciro Pessoa Mendes Corrêa começou a aprender a tocar violão ainda na infância. Foi estudando no Colégio Equipe que conheceu Arnaldo Antunes, Paulo Miklos, Nando Reis, Marcelo Fromer, Branco Mello, Tony Bellotto e Sérgio Britto. Então adolescentes, eles formariam, juntos com André Jung, a banda Titãs do Iê-Iê – que, mais tarde, se chamaria só Titãs. “Foi dele a ideia de reunir os amigos compositores no começo dos anos 80 pra fazermos uma banda de rock e assim formamos os Titãs”, escreveu Branco Mello, em sua rede social. 

Naquela época, os amigos já estavam envolvidos com música, tocando e compondo. O livro A Vida Até Parece Uma Festa, sobre a trajetória da banda, escrito por Hérica Marmo e Luiz André Alzer, relata que, em 11 de junho de 1982, Tony Bellotto recebeu um telefonema de Ciro, que estava morando no Rio e animado com o cenário do rock que passava a ganhar novo fôlego – ele tinha ouvido em primeira mão o LP Cena de Cinema, de Lobão: “Bellotto, estão fazendo um p... som aqui no Rio. Cara, vamos montar esse negócio de Titãs do Iê-Iê, que vai dar certo. Estou indo amanhã para São Paulo e te ligo”. No dia seguinte, ele convocou o grupo, com a proposta de levar a sério o que começou como brincadeira. 

Ciro saiu do grupo em 1984, por divergências internas – e desentendimentos com André Jung. De acordo com os autores Hérica e Alzer, ele chegou a dar um ultimato: ou saía ele ou o André. “Então sai você!”, responderam os outros integrantes. Mesmo com pouco tempo de banda, ele assina como coautor de músicas como Sonífera Ilha e Toda Cor, que entraram no álbum de estreia da banda, do qual ele não chegou a participar. Em seguida, Ciro formou a banda Cabine C, com sonoridade gótica. 

Ao longo dos anos, ele seguiu compondo e integrando outros projetos. Em 2001, lançou o disco infantil Eu e Meu Guarda-Chuva, com composições dele e Branco Mello. “Siga em paz, querido Ciro. Descansa meus olhos, sossega minha boca, me enche de luz...”, despediu-se Branco.

 

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