Circo Voador recupera palco preferido da geração 80

Uma festa com roqueiros e músicos dos anos 80 reabre hoje o Circo Voador da Lapa, fechado há quase oito anos. As obras duraram três anos, com investimento de R$ 4,5 milhões da Prefeitura do Rio. A administração está a cargo de Maria Juçá, a produtora dos shows que consagraram as carreiras de Lobão, Barão Vermelho, Marcelo D2 e Marcelo Yuka. Quase todos estarão na reinauguração e voltam no sábado para uma homenagem à Cazuza, outro personagem dessa história. No domingo, volta a Domingueira Voadora, a partir das 21 horas, com a Orquestra Tabajara, de Severino Araújo. A antiga lona foi substituída por uma estrutura metálica com capacidade para 1.400 pessoas e tratamento acústico de primeira. "O Circo mantém os objetivos de sua criação: diversão a preço baixo e espaço para novos talentos", diz Maria Juça, que comandava aquela noite em 1996, quando o arquiteto Luiz Paulo Conde foi comemorar sua vitória na eleição municipal e foi vaiado pelo público punk do grupo Ratos de Porão. Logo em seguida, o Circo foi fechado por irregularidades. Frejat, líder do Barão Vermelho, comemora. "É um grande prazer ter de volta o espaço musical mais democrático da cidade", disse por e-mail ao Estado. Lobão elogia, mas solta os cachorros. "A volta do Circo, sem nostalgia, é fundamental para a cultura brasileira, que está no CTI. Os novos têm dificuldade de mostrar-se e todo mundo só pensa em reeditar coisa antiga ou prestar tributo a neguinho morto", teoriza. "Tudo que aconteceu desde 1980 passou pelo Circo, que sempre teve espaço para tudo, de Severino Araújo ao hip hop. E é assim que deve continuar." Citado por todos, Severino se sente de volta ao lar. "É formidável. Nos 71 anos da Tabajara, a Domingueira tem lugar de destaque", conta ele, prometendo repertório novo para a orquestra de 23 músicos.Em agosto, começam a funcionar, durante o dia, as oficinas e projetos sociais do Circo Voador e os shows do meio da semana. Samba às segundas (produzido por Mário Lago Filho), rock na terça, música latina na quarta e lançamentos de discos e livros na quinta. Sextas e sábados serão reservados aos nomes consagrados. Celso Blues Boy e Yamandú Costa serão os primeiros. Os ingressos vão custar entre R$ 5,00 e R$ 24,00. "São 150 pessoas trabalhando aqui, mantendo o espírito que criou o Circo, mas sem saudosismo", declara Juça.

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