Cineasta registra obra de Elomar

Aos 29 anos, estudante de música,diretor de filmes publicitários ligado à produtora VerticalFilmes, Manitou Felipe mobiliza suas energias para deixarregistrada a obra de Elomar, pela qual está fascinado. "Em 1990 Carlos Manga Júnior (filho do cineasta Carlos Manga) colocou umdisco de Elomar para eu ouvir. Fiquei assustado. Nunca tinhaouvido nada parecido." Quase 13 anos depois, tomou como missãopessoal sensibilizar o Brasil para a importância desse artista. "Elomar não quer a captação de imagens para umdocumentário nos moldes tradicionais, cujo formato ele nãoaprova. Segundo ele, seria mais um documentário para serconsumido por alguém que, por acaso, zapeando na TV, toparia comaquele sujeito de chapéu, viola e botas, acharia interessante e,ao fim, teria retido uma sinopse como se fosse realconhecimento." Qual seria então o caminho? "Elomar permitehoras, meses e anos de gravações em áudio. Vamos fazer isso, oregistro. E sensibilizar as pessoas certas para conseguirmoscriar a Escola de Música do Sertão e ainda gravar pelo menosmais três discos com obras ainda inéditas." Na avaliação de Manitou, a existência de um artista comoElomar é coisa quase impossível no dias de hoje. "Eu sou umurbanóide. Vivo na cidade e meu tempo é o tempo da urbe. Passei12 dias na casa de Elomar, um lugar onde o dia não acaba nunca.Só num tempo assim é possível criar uma obra em grande escala,como fizeram Mozart, Beethoven, Schumann. É fascinante aexistência de uma obra desse porte e qualidade. As orquestrasbrasileiras deveriam estar brigando para executá-la."

Agencia Estado,

17 de janeiro de 2003 | 16h50

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