Cidade Negra volta mais místico com CD de inéditas

Mais místico nas letras, mais tradicionalista nos arranjos, o Cidade Negra volta a lançar um disco com músicas inéditas, Perto de Deus, depois de quatro anos sem entrar em estúdio. Seu mais recente trabalho, um acústico gravado para a MTV, rendeu milhares de cópias vendidas e 320 shows pelo Brasil. Finalizada a epopéia de uma banda que jura não perder o prazer por tocar as mesmas músicas 320 vezes em alguns meses, o lançamento de um novo trabalho aponta para um novo norte. Ou melhor, um velho porto seguro e conhecido de quem ouviu Cidade Negra há 20 anos. O reggae, depois de andar diluído nos beats e nos samplers de álbuns anteriores, volta ao front. "O reggae está em todos os nossos discos", lembra Toni Garrido antes de qualquer introdução. Mas o próprio líder não só concorda como completa que a opção pelos formatos mais clássicos do gênero jamaicano foi proposital. "E aí estamos também correndo um risco", diz Toni. Ele vai ao ponto quando fala de risco. A geração de 1995 para cá conhece o Cidade Negra pop, das rádios, das pistas. "Nunca fomos uma banda de pista", discorda Toni. Muitos adolescentes que conheceram o Capital Inicial no disco acústico gravado para a MTV sabem mais sobre o novo corte de cabelo de Dinho do que sobre o lado B do primeiro disco da banda. Jovens fãs do Ira! ainda não foram apresentados às primeiras gravações dos anos 80. Quem conhece o Cidade Negra há pouco pode ouvir o disco novo e se perguntar "que banda é essa?". Essa é, em essência, a banda que fez sucesso há 20 anos, quando nem tinha a atual formação. As doses de espiritualidade, em músicas como "Sinais", são alertas quase proféticos. Sua letra diz: "O mundo inteiro viu os seus sinais / Até parece que isso não assusta / Eu vejo coisas que não são normais / Eu vejo o preço que isso tudo custa..." É pertinente aos princípios do reggae e à primeira fase do grupo.

Agencia Estado,

19 de agosto de 2004 | 12h07

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