Divulgação
Divulgação

Cida Moreira é cultuada por novatos, mas não tem obsessão pelo novo

Thiago Pethit, que tem agora música gravada pela musa, diz que a estudou e a admirou "de longe, por quase 10 anos"

Lauro Lisboa Garcia, Especial para O Estado de S. Paulo

24 de agosto de 2015 | 05h00

Como sua contemporânea Ná Ozzetti, Cida Moreira é daquelas artistas que não só são cultuadas por uma legião de novatos, como interagem com eles. Escolada em Brecht e Weill, Cida diz que não faz isso com a menor intenção de parecer moderna. Nem se abala com a obsessão pelo novo. O pulso eletrônico que no fim destoa do restante do disco Soledade é um choque proposital, contrastante com a modinha de Mário de Andrade. “Ainda vou realizar um trabalho de documentação das modinhas imperiais dele”, diz a cantora, que, ao mesmo tempo, gravou um dueto com Arthur Nogueira na vinheta Preciso Cantar (dele). Arthur já dividiu o microfone com ela no palco e acaba de lançar seu segundo álbum solo, Sem Medo Nem Esperança, mesmo nome da canção de sua autoria e Antonio Cícero que abre o disco Estratosférica, de Gal Costa. 

Como Arthur, Thiago Pethit se derreteu em texto postado no Facebook, exaltando a emoção de ter tido Forasteiro (parceria com Hélio Flanders) registrada agora em disco por sua musa. Pethit, que vive seu melhor momento como compositor e cantor com o disco e show Rock’n’Roll Sugar Darling, escreveu que a estudou e a admirou “de longe, por quase 10 anos, com a precisão de um guerreiro que observa a batalha antes de se jogar”.

Cida Moreira mergulha em suas memórias para cantar o Brasil no disco ‘Soledade’

Hélio Flanders se jogou no mundo da música como compositor e vocalista do Vanguart e agora vai lançar o primeiro álbum solo. Cida, que canta um dueto com ele nesse disco, também figurou na capa do segundo álbum do grupo (Boa Parte de Mim Vai Embora, de 2011) e tem em comum com ele o gosto por canções e artistas arrebatadores envoltos em “nevoeiro” (citando Pethit), como Tom Waits, Billie Holiday, Amy Winehouse, Lou Reed, Leonard Cohen.

Ator e cantor de grande presença cênica e voz poderosa, André Frateschi lançou o primeiro disco solo e autoral (Maximalista) em 2014 e também respira da mesma poesia desses artistas intensos. Ficou conhecido fazendo covers de David Bowie, dividiu o disco Hits do Underground (2010) com Miranda Kassin e o palco com Cida no antológico show Canções para Cortar os Pulsos. Está nos planos da dupla um outro show com canções de Tom Waits, como aquele de 2007. Em Soledade ele tem trecho de Queda, citado na faixa de O Pulso.

Nesse ambiente de entregas, o pianista João Pacheco, que toca em Soledade (fez o arranjo e toca piano em Outra Cena, de Taiguara), é o mais recente da trupe a se juntar à cantora e fez com ela o show Canções Fatais (2012), interpretando Vicente Celestino. Mais do que referência, Cida, diz que tem muito que aprender com eles. Duas versões de Forasteiro (uma só com o áudio da gravação do disco e outra ao vivo registrada na Casa de Francisca), que recentemente se tornaram disponíveis no YouTube, não deixam dúvidas de que a troca é justa: um prenúncio de primavera, mas não sem deixar sangrar um pouco.

Notícias relacionadas
    Tudo o que sabemos sobre:
    Thiago PethitCida MoreiraMúsica

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    Tendências:

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.