Serjão Carvalho/ Estadão
Serjão Carvalho/ Estadão

Shows do Lollapalooza são retomados após interrupção de duas horas por causa da chuva

Apesar da retomada da programação, alguns shows tiveram que ser cancelados, como Rashid, Lany e Silva

Guilherme Sobota, Eduardo Gayer e Julio Maria, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2019 | 14h50
Atualizado 06 de abril de 2019 | 22h43

Depois de quase duas horas de interrupção por conta do mau tempo, o Lollapalooza retomou a agenda de shows por volta de 16h30 deste sábado, 6. 

Apesar da retomada da programação, alguns shows do Lollapalooza Brasil 2019 foram cancelados em definitivo. 

Entre eles estão Rashid, Dubdogz e Lany, que chegaram a subir ao palco, mas pouco tempo depois foram interrompidos pela produção do festival, no momento da suspensão das atividades. 

Silva e Chemical Surf não chegaram a se apresentar e tiveram seus shows cancelados. Silva publicou uma mensagem no Instagram lamentando a situação. "Contra a natureza, não há lei", disse. 

Com produção impressionante, Odesza se apresenta em São Paulo

A dupla americana Odezsa encerrou os shows do palco Adidas deste sábado, 6, o segundo dia do Lollapalooza Brasil 2019. Com iluminação e produção imagética impressionantes - que transformaram a apresentação em um verdadeiro espetáculo visual -, o duo ousou ao trazer ao show, a priori eletrônico (embora fora do palco Doritos, destinado ao gênero musical), participações especiais de trompetes, tambores, guitarras e vozes femininas. 

Harrison Mills e Clayton Knight estão juntos no projeto Odezsa desde 2012, época em que cursavam faculdade, em Seattle. Em São Paulo, estavam sobre uma plataforma que servia como um quarto telão, que complementava os outros três do palco, comum a todas as apresentações. 

Entre os sucessos da dupla, estão Line of Sight, Across the room e Say My Name, este último indicado como melhor gravação remixada no Grammy de 2015. 

Ao apostar em produções visuais, Odezsa rompe com os limites do eletrônico e oferece experiências musical e imagética a quem a acompanha. Mais que um show, um espetáculo, de fato.  (Eduardo Gayer)

Jorja Smith se apresenta usando camisa da Seleção Brasileira   

Sob uma fraca - mas persistente - garoa, a cantora Jorja Smith se apresentou no início da noite deste sábado, 6, no Lollapalooza Brasil 2019. Todos os integrantes da banda usavam camisetas da seleção brasileira. 

A inglesa de 21 anos animou o público com suas canções mais famosas, como seu single de estreia Blue Lights. Como já era esperado, o show foi de músicas mais suaves, embora o baterista tenha impressionado a plateia com sua performance eletrizante em certos momentos. 

A cantora Liniker, que já havia citado Jorja Smith em seu show, estava na plateia e foi aplaudida quando apareceu no telão. 

Jorja venceu o Brit Awards dcomo revelação feminina em 2019. Também foi indicada ao Grammy de artista revelação neste ano, mas quem levou o prêmio foi Dua Lipa. 

Dona de voz potente, a cantora já abriu shows de Bruno Mars e fez parceria com Kendrick Lamar na canção "I Am", que faz parte da trilha sonora do filme Pantera Negra. 

Como já tem sido de praxe entre cantores estrangeiros que se apresentam no Lollapalooza, Jorja Smith soltou um "I love you, Brasil", arrancando aplausos de quem assistia. Ao final, tirou uma foto com a plateia de fundo. (Eduardo Gayer)

Bring me the Horizon agrada público do metal mas aponta para transição

Com show seguro de si, Bring Me The Horizon driblou a garoa e teve uma das apresentações mais animadas do segundo dia do Lollapalooza 2019. O vocalista Oliver Skyes ficou impressionado com uma enorme roda de "mosh" formada durante o show e até arriscou palavras (e palavrões) em português.

A trajetória do Bring me the Horizon se confunde um pouco com a do próprio festival Lollapalooza. A banda fundada em 2004, em Sheffield, começou a carreira investindo em um gênero nichado, o deathcore, em seu disco de estreia, Count Your Blessings, e foi abrindo os portões para influências distintas com o passar dos anos, até chegar a uma mescla de pop, eletro e rock no sexto e último álbum, amo, de 2019.

Da mesma forma o Lollapalooza chegou ao Brasil, em 2012, de olho nos públicos alternativos, e vem cada vez mais se deslocando para a cena pop eletrônica.

Essa migração fica evidente ao longo do show. O setlist, que abre com faixas que contam com riffs mais pesados como Mantra e The House of Wolves, logo aposta em hits mais pops como Mother Tongue.

A partir daí, a banda mescla faixas mais rock como Wonderful Life e Antivist com músicas mais pop como Can You Feel My Heart e Throne. (André Cáceres)

Com show mais curto, Snow Patrol reinaugura segundo dia do festival

Logo após os primeiros minutos do show da banda Snow Patrol, no Lollapalooza 2019, o líder, vocalista e guitarrista Gary Lightbody se desculpou com o público: "Teremos que fazer um show mais curto hoje", ele disse em inglês, logo após apresentar o hit Open Your Eyes.

Isso porque o Snow Patrol, que já soma um quarto de século de estrada, reinaugurou o segundo dia do Lollapalooza 2019, interrompido por mais de duas horas devido ao risco de descargas elétricas. 

Após uma forte chuva no autódromo de Interlagos e bastante confusão com a organização do evento, que não confirmava se os shows seriam ou não cancelados, o Snow Patrol reuniu um público ainda molhado, mas bastante animado no palco principal. 

Em um show enxuto, os hits mais esperados ficaram mais próximos uns dos outros no setlist. Em meio a uma fina chuva que não espantou o público, a banda mesclou sucessos do passado como Chasing Cars com músicas do disco novo, Wildness (André Cáceres)

Jain faz show esvaziado no palco Adidas

E depois da tempestade, Jain. A francesinha que tem mais África no sangue do que Europa, isso pelos anos que morou em Brazzaville, no Congo, fez um show lamentavelmente esvaziado. 

Ela é jovem, delicada, fez uma apresentação no tempo incerto de Interlagos, com a chuva ameaçando voltar a todo momento. Eram poucas pessoas no palco Adidas quando os shows foram retomados depois da paralisia do "Apocalooza", mas Jain não desistiu. Mandou a plateia abaixar até o chão para que explodisse no momento certo. Uma estratégia muito bem vinda quando o público é grande.

Ali, naquelas condições, não foi uma estreia que Jain merecesse. Ela precisa voltar. (Julio Maria)

Com protestos contidos, Liniker faz último show antes da chuva

A banda brasileira Liniker e os Caramelows fez o último show completo do segundo dia do Lollapalooza 2019 antes da chuva que suspendeu o festival por mais de 2 horas. 

Com seu estilo provocativo e sua banda que mescla ritmos latinos, MPB, soul e R&B, a cantora Liniker exibiu em diversos momentos frases de protesto no telão de seu show: "Ele não" e "Ele nunca".

O sol ainda brilhava forte no momento em que a banda paulista encerrou seu show com a música Zero. 

Poucos minutos depois do encerramento da apresentação, quando o rapper Rashid já se apresentava, o festival ficaria interrompido devido ao risco de descargas elétricas. (André Cáceres)

 

Sábado tumultualdo

Duas horas antes, às 14h20, apresentações foram interrompidas para garantir a segurança dos fãs e dos artistas. Uma nuvem negra se aproximava da região e raios começavam a cair. A pancada veio apenas às 15h30, durou cerca de meia hora e depois a chuva acalmou. O acesso aos palcos foi novamente autorizado e os shows voltaram a ocorrer perto das 16h20 - os shows que começaram nesse horário seriam mais curtos e a organização informou que tentaria reajustar a agenda conforme a programação inicial. O acesso pelos portões também foi retomado.

Apesar da retomada da programação, alguns shows do Lollapalooza Brasil 2019 foram cancelados em definitivo. 

Entre eles estão Rashid, Dubdogz e Lany, que chegaram a subir ao palco, mas pouco tempo depois foram interrompidos pela produção do festival, no momento da suspensão das atividades. 

Já Silva e Chemical surf não chegaram a se apresentar e tiveram seus shows cancelados. Silva publicou uma mensagem no Instagram lamentando a situação. "Contra a natureza, não há lei", disse. 

Em entrevista ao Multishow, o presidente da Time For Fun, Fernando Altério, disse que por volta das 14h30 a estação metereológica que monitora o evento informou que entre meia hora e uma hora deveria haver uma "grande concentração de descargas elétricas na região e com ventos muito fortes".

"Entendemos que deveríamos afastar as 28 mil pessoas que já estavam dentro do local, mas principalmente dos palcos, e fechar os portões para não aumentar o problema", disse.

Ele também mencionou uma tentativa de contato com a prefeitura para fortalecer o esquema de ônibus na saída do evento.

Mais cedo, após alguns bombeiros levantarem a possibilidade de evacuação do evento, o porta-voz da corporação, capitão Marcos Palumbo, garantiu que o festival tem todos os requisitos de segurança e autorizações exigidos. 

Por telefone, o capitão disse considerar uma evacuação completa do festival "muito improvável".

"O evento e o Autódromo têm todas as condições de segurança garantidas para situações climáticas e incêndios", exemplificou. "A única situação que veria uma possibilidade de evacuação seria em um evento fora do comum, como ameaça de bomba."

"Fiz uma checagem com o Centro de Operações e o Corpo de Bombeiros não recebeu nenhum chamado para a região de Interlagos ou especialmente para o evento. Quero explicar que o Corpo de Bombeiros recebeu todas estruturas em forma de projeto da administração do evento, e o projeto foi aprovado. Houve toda a participação da corporação inclusive em vistorias no local, brigada de incêndio, sistemas de controle. O evento transcorre de maneira normal e não recebemos nenhum chamado por causa das chuvas. Acreditamos que a equipe de brigadistas consiga resolver todos os problemas de atendimento do público. Qualquer coisa, podemos atuar, mas não houve nenhuma atuação do Corpo de Bombeiros até aqui (15h55)", disse o capitão.

Os portões do Autódromo de Interlagos permaneceram fechados por aproximadamente uma hora, com multidões se aglomerando nas saídas - ninguém podia entrar ou sair do festival.

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