Chucho Valdés homenageia Tito Puente em SP

Filho do celebrado pianista cubano Bebo Valdés, o compositor, arranjador, professor de música e pianista Jesús "Chucho" Valdés, um dos mais respeitados músicos em sua terra e igualmente festejado nos Estados Unidos, apresenta-se nesta terça-feira e na quarta-feira no Bourbon Street Music Club, em São Paulo. Ele é também o diretor do Havana Jazz Festival.Em entrevista pelo telefone, de Neuquen, Argentina, Chucho disse que pretende mostrar em São Paulo músicas de seus "três discos premiados". Referia-se a Bele Bele en La Habana, Briyumba Palo Congo (Religion of the Congo, com o qual ganhou um Grammy pela melhor performance de jazz latino), e o mais recente, Chucho Valdés Solo - Live in New York, que ele considera o melhor de sua carreira, o trabalho mais maduro.O disco, o mais recente trabalho de Chucho, saiu pela Blue Note em fevereiro. Mostra o pianista muito à vontade no Lincoln Center - ele conta que é grande amigo de Wynton Marsalis diretor de jazz da casa - , mandando ver em clássicos como Negra Tomasa, Besame Mucho, Somewhere over the Rainbow, Rumba Guajira, Delírio e outras.Valdés também disse que pretende fazer uma pequena homenagem a um dos grandes músicos do jazz, Tito Puente, morto recentemente. "Tudo o mais é surpresa", afirmou.Há duas semanas, Chucho estava em Havana gravando com Angá Diaz, Orlando Cachaíto Lopez, Ibrahim Ferrer, Ry Cooder e Joachim Cooder, entre outros músicos, uma nova empreitada do Buena Vista Social Club. "Gravamos algumas músicas novas, canções de Ibrahim Ferrer, outras de Arsênio Rodrigues e minhas", contou ele.Aos 57 anos, Valdés mostra-se absolutamente confiante na direção musical de sua carreira. Diz que adorou o disco de estréia de Cachaíto Lopez, que tem algumas pitadas de música eletrônica, mas que essas experiências não servem para ele mesmo. "Trabalho com instrumento acústico e com um quarteto", desconversa. "A música eletrônica serve para algumas coisas mas para outras não."Chucho, que foi iniciado no piano pelo pai e fazia freqüentes incursões pelo palco do Tropicana ainda muito jovem (Bebo Valdés era diretor do Tropicana), já tinha sua orquestra aos 16 anos. Em 1960, seu pai foi deportado para os Estados Unidos. Chucho poderia ter ido, mas preferiu ficar e em 1967 fundou a Orquestra Cubana de Música Moderna.Em 1973, o pianista fundou um grupo de fundamental importância para a música cubana, o Irakere, que contou em seu cast com músicos como Arturo Sandoval e Paquito D´Rivera. Em 1978, uma rara apresentação nos Estados Unidos, em pleno embargo diplomático, durante o Newport Jazz Festival, resultou na assinatura de um contrato com a Columbia.O disco do Irakere que resultou daquele contrato ganhou um Grammy. "Além de integrar o jazz à nossa música, o Irakere também extraía algo dos elementos da macumba cubana e incorporava-os à música popular dançável", disse o pianista.Nos Estados Unidos, sozinho, Chucho lançou alguns celebrados álbuns pela Blue Note. Como Paquito D´Rivera, ele se tornou uma espécie de embaixador da música cubana. Em 1997, gravou Habana, um disco experimental do trompetista Roy Hargrove pelo selo Verve. O disco de Hargrove, que trazia ainda Changuito, Angá, Horácio Hernandez e Jorge Reyes, também levou um Grammy, o que ajudou a impulsionar a conquista do mercado internacional pela música cubana. Para Valdés, no entanto, aquilo era o resultado de um trabalho que começou muito antes, e que se revela no talento de jovens instrumentistas, como o pianista Gonçalo Rubalcaba.A música cubana e o jazz, segundo a visão de Chucho, são dois tipos complementares de música com a mesma raiz, a África. Por conta de seu interesse nessa diáspora negra, ele gravou recentemente com Cesaria Evora, a diva do Cabo Verde, em Havana."Os pianistas cubanos sempre pensam na base rítmica quando tocam, e sempre pensam em Cuba também", contou o músico, que só não tem a estatura de superastro nos Estados Unidos porque vive em Cuba.Figura onipresente nos festivais de jazz americanos, como o JVC Jazz Festival (em 1999, Chucho esteve por lá com Caetano Veloso, Wayne Shorter e Oscar Peterson, entre outros), o pianista disse que aprovou a série Jazz, de Ken Burns, o maior documentário já realizado sobre o gênero."Tenho a fita em casa, é um trabalho bem-feito e sério", disse. "Sei que há restrições quanto a períodos da história do jazz que estariam mal representados, mas o fato é que o especial despertou a vontade de ouvir a música, o que é mais importante", ponderou.O pianista não só maravilha platéias ao redor do mundo, como um autêntico embaixador da melhor música cubana, como também leciona música para jovens adolescentes no Instituto Superior de Arte de Cuba. Lá, tem ajudado a revelar nomes que já despontam como as novas caras da música cubana, como Irving Arcao e Roman Filiú.Recentemente, durante o festival Cubadisco, em Havana, Chucho tocou com Ivan Lins, com quem já tinha gravado disco anteriormente. "Foi lindo", diz o pianista. "Estivemos muito tempo sem trocar idéias e tocamos numa noite especialmente feliz embora muita gente tenha ficado de fora do teatro", explicou.É um velho conhecido da música brasileira, fã de Leny Andrade e de Chico Buarque. Após gravar o disco com o pessoal do Buena Vista, elogiou o pianista que estava "substituindo" (embora esse não seja o termo adequado): Rubén Gonzalez, o veterano de toque erudito da trupe. "Rubén é um patrimônio da música cubana, e não só eu, mas todo o mundo o respeita, com muita justiça."Do Brasil, Chucho Valdés vai ao Aruba Jazz Festival e continua uma turnê que só termina em maio do ano que vem, passando pelos Estados Unidos, Japão, Inglaterra, Luxemburgo e terminando de novo nos Estados Unidos, no Estado de Michigan, durante o Irvings Gilmore International Keyboard Festival.Chucho Valdés. amanhã (26) e quarta-feira, às 22h30. De R$ 60,00 a R$ 95,00 (couvert artítisco). Bourbon Street Music Club. Rua dos Chanés, 127, tel. 5561-1643. Até amanhã. Patrocínio: Diners Club International.

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