Chucho Valdés, a lenda cubana do jazz, vem a SP

Jesus é negro, desengonçado e tem quase dois metros de altura. Sem seus longos dedos, a música cubana estaria certamente confinada na Ilha de Fidel. Em 1978, com 12 seguidores, foi o primeiro a entrar como um tornado nos EUA, desconcertando jazzistas tradicionais e criando novo padrão de música latina. Jesus prefere ser chamado de Chucho. Jesus Chucho Valdés tem hoje 60 anos e está em seu momento mais aclamado. Trata-se do melhor pianista de jazz em atividade. Idealizador do demolidor grupo cubano Irakere, escola que ensinou música a "hermanos" como Paquito D´Rivera e Arturo Sandoval, vive sua glória. Dias 26 e 27, ele estará em São Paulo, em estado de graça, para apresentar-se no Bourbon Street.O bom momento de Chucho não se restringe aos discos que desconcertam críticos, cada vez mais pasmos com sua vitalidade. No Heineken Jazz Festival, que terminou dia 3 em San Juan, Porto Rico, Chucho virou lenda. O evento foi todo dedicado a ele. Por lá passaram George Benson, Ron Carter, Ray Vega, Luis Marin, Tania Maria e o Irakere.Logo depois de visitar o Brasil, Chucho ruma para Japão, Coréia do Sul e países da America Latina para se apresentar com seu quarteto. Em 2002, lançará uma ópera e, ainda este ano, um novo disco com o Irakere, primeiro conjunto da Ilha a vencer o embargo e atuar nos EUA. Com agenda cheia o ano todo, Valdés não se preocupa mais com dinheiro. Mas diz não deixar Havana por nada. "Eu me apaixonei por uma cubana em 1962 e vivo com ela lá até hoje. São coisas do amor", contou ao JT, em entrevista concedida no hall de um hotel de Porto Rico.Um paralelo natural pode ser traçado para comparar o que fez o Irakere em 78 e o que têm feito os velhinhos do Buena Vista Social Club. Ambos colocaram os ritmos latinos em cena depois de adormecidos por anos. Mas Chucho aponta diferenças. "O Irakere criou algo novo. O Buena Vista usou o que já existia."Quando não toca, o pianista leciona música para jovens com idade entre 13 e 20 anos no Instituto Superior de Arte de Cuba. É onde Chucho cria feras que se tornam novos integrantes do Irakere, como os saxofonistas Irving Arcao e Roman Filiú, e outros músicos que tocam em seu quarteto. O assunto política chega e Chucho quer fugir. "Preciso sair, tenho de ir comprar um piano", despista. "Meu mundo é a música. Festivais de jazz, Charlie Parker, John Coltrane."

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