"Chorando no Rio" prova vitalidade do gênero

Interrompido em 1995, o Festival Chorando no Rio voltou à agenda carioca no ano passado. O registro das músicas finalistas chega agora ao mercado num CD duplo lançado pela CPC-Umes em parceria com a Fundação do Museu da Imagem do Som, que promoveu o evento na Sala Cecília Meirelles. Chorando no Rio, o álbum, dá uma boa amostra da vitalidade e renovação do gênero.Os dois discos reúnem as execuções ao vivo das 36 composições finalistas, que já haviam rendido um caderno de partituras. Foram escolhidas entre 243 músicas inscritas. Predomina o choro, claro, mas há espaço também para gêneros próximos e subgêneros, como o choro-canção, a valsa, a polca e o maxixe.Regra geral, os compositores selecionados para a fase final (todos inscritos sob pseudônimo) são ainda pouco conhecidos do grande público, embora já respeitados da cena musical, em especial carioca. A maior exceção é Guinga, que teve selecionada a bela Dichavado, com interpretação do Quarteto Maogani. Mas há também Cristóvão Bastos (parceiro de consagrados como Chico Buarque e Aldir Blanc) e Mário Negrão, que mostram Respira Fundo, Silvério Pones com Chico Nacarati, com Maxixe da Família, entre outros.São muitos os destaques dos discos, mas é obrigatório saudar os três primeiros colocados do festival, pela ordem: Balançadinho, do bandolinista brasiliense Jorge Cardoso, Zé Galinha, do flautista veterano Claudio Camunguelo, e Fabiano e Sua Turma, do saxofonista e flautista Mario Sève, um dos fundadores do Nó em Pingo D?Água.Todas as composições inscritas são inéditas, como manda o regulamento do evento. Com isso, Chorando no Rio abre espaço aos novos criadores - tanto instrumentistas como compositores - e revigora o repertório do choro. E assim responde aos que, de tempos em tempos, injustamente dão o gênero por esgotado.

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