Eduardo 'Orelha' Romeiro/ Divulgação
Eduardo 'Orelha' Romeiro/ Divulgação

Chitãozinho e Xororó dão tom de sertão à Broadway

Em casa lotada, dupla interpreta música de Tom Jobim

Tonica Chagas, Especial para O Estado de S. Paulo

22 de fevereiro de 2015 | 19h03

NOVA YORK - Enfrentando neve e temperatura que persistia na faixa abaixo do zero grau centígrado, cerca de 1.500 vozes fizeram coro no teatro Town Hall, em Nova York, para cantar com Chitãozinho e Xororó na noite de sábado, 21. Foi o primeiro show deste ano feito pela dupla, baseado no disco Do Tamanho do Nosso Amor, de 2013. Dezenas de chapéus de vaqueiro espalhados na plateia deram clima de baile de peão na Broadway. Teve muito casal que não aguentou ficar sentado e dançou mesmo entre as poltronas de veludo do teatro.

Além dos vários sotaques característicos do interior do Brasil, o único outro ouvido no Town Hall lotado era o lusitano. Entre mineiros, paranaenses ou goianos, juntaram-se grupos de portugueses, também fãs da dupla sertaneja, que vivem em meio à maciça comunidade brasileira em cidades e Estados vizinhos a Nova York, como Connecticut e New Jersey. "Teve hora que me emocionei muito mesmo vendo esse público imigrante", disse Chitãozinho depois do espetáculo.

Para jovens. Pela primeira vez, os dois irmãos cantaram ao vivo uma das 14 músicas do disco Tom do Sertão, lançado no início de fevereiro, só com composições de Tom Jobim. Com a letra projetada num telão ao fundo do palco, "Eu Não Existo Sem Você", de Jobim e Vinícius de Moraes, foi exceção no show, pois todas as outras músicas apresentadas pela dupla eram cantadas em uníssono pelo público.

Até este disco, os dois haviam incluído em show só uma música de Tom Jobim, Eu Sei que Vou Te Amar, também feita em parceria com Vinícius. A ideia de fazer um disco com composições dele veio de Xororó. A obra de um um dos pais da bossa nova, o estilo de música brasileira que mais se expandiu pelo mundo, ganhou os ouvidos da dupla sertaneja pela voz da cantora Sandy, filha de Xororó, que conta: "Ela gravou músicas dele, sempre estava cantando em casa e aí me deu essa vontade".

O título Tom do Sertão foi um estalo de Chitãozinho. Ele explica que "gravar no estilo bossa nova não ia trazer novidade nenhuma". Para dar a identidade que a dupla imprimiu em mais de 35 milhões de discos vendidos em quase 40 anos de carreira, foram escolhidas composições que, de alguma forma, lembrem a natureza, como água de rio ou de chuva, flores ou passarinhos - "que tem muito a ver com o espírito sertanejo", acrescenta o cantor e compositor mais falante do duo.

"Claro que pessoas mais antigas e fãs da bossa nova conhecem a obra do Tom. Mas a música sertaneja tem um grande público entre os jovens, um público novo para quem a gente quer trazer a música dele", diz o irmão de Xororó. Este, por sua vez, tem fé que "quem não conhecia Tom Jobim vai conhecer e cantar agora". Não se duvide que Tom do Sertão vai entrar no repertório dos jovens sertanejos universitários e até dos bailes de peão.

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