Chico, no violão de Paulinho Nogueira

Nos 60 anos que seus dedos deslizam em violões, Paulo Artur Nogueira se tornou um professor da bossa nova, lançou 35 discos, criou um método de música obrigatório há 40 anos e chegou a inventar um instrumento. Uma experiência que não havia passado, contudo, vivencia agora. Paulinho Nogueira, aos 71 anos, foi submetido a uma sessão de entrevistas como nunca havia feito para falar sobre seu disco Primeiras Composições, com canções famosas de Chico Buarque em versões instrumentais. Os shows para lançá-lo serão amanhã e domingo, no Sesc Pompéia. No palco, apenas Nogueira e o violão. O sentimento de ser admirado estava no passado. Entrevistas, por absurdo que pareça a um violonista reverenciado por europeus como ele é, não fazem parte da rotina. "O espaço para quem faz música instrumental continua pequeno." "O mundo conhece o Chico Buarque letrista, da poesia. O que queria mostrar com este disco era seu valor como criador de melodias e harmonias. Este seu lado nunca foi devidamente analisado", explica. Um erro no encarte do disco deverá ser corrigido em próximas tiragens. Sivuca não tem crédito em Olê, Olá, que fez com Chico Buarque. "Não fomos informados pela editora, mas vamos corrigir." As outras, sempre a um violão de harmonia simples, são Carolina, A Banda, João e Maria, Joana Francesa, Com Açúcar, Com Afeto, Roda Viva, Rosa dos Ventos, Roda Viva e Noite dos Mascarados. É como se Chico Buarque as cantasse. Nogueira valoriza nota por nota e preserva as intenções originais. "Não quis criar sobre as obras. O importante era fazer com que Chico permanecesse presente." Entre as façanhas harmônicas de Chico Buarque, cita a seqüência de Olê, Olá. "É precioso o que ele faz. Começa em um tom, faz uma modulação para outro e, na hora de voltar, faz uma preparação maravilhosa. É excepcional." Paulinho Nogueira confessa que não é de estudar. "Ninguém acredita." Ensaia mais quando tem um disco a gravar, mas não se prende a exercícios de técnica. "Sou muito preguiçoso". Sobre técnica, tem uma opinião clara: "As pessoas dão valor exagerado à técnica. Há quem não tem isso mas tem muita beleza. Basta ouvir Dilermando Reis." Serviço: Paulinho Nogueira. Amanhã, às 21h. Domingo, às 18h. Teatro do Sesc Pompéia (Rua Clélia, 93. Tel. 3871-7700). Ingresso: R$ 10

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