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Chico falou de sua mãe, Adelaide, e do ‘árduo trabalho’ dos censores

'Quantas músicas você censurou hoje? Ele fala: 7. O cara que censurar 17, por exemplo, vai ser promovido logo'

Edmundo Leite - O Estado de S. Paulo,

11 de agosto de 2012 | 07h00

Em quase uma hora ininterrupta incorporando o heterônimo, Chico discorreu sobre temas e personalidades daqueles dias de 1974.

O nome e a mãe Adelaide

Eu me chamo Julinho da Adelaide porque todo mundo só me chama assim lá no morro, entende? Minha mãe é mais famosa do que eu lá no Rio. Ainda é. Minha mãe é séria! Minha mãe, vou te contar o que ela fez. Minha mãe tava no primeiro elenco do Orfeu Negro. Foi amiga íntima de Vinícius de Moraes, Antonio Carlos Jobim e Oscar Niemeyer. Fazia o cenário do Oscar Niemeyer. Fazia o cenário do Orfeu no Municipal. Ela conheceu intimamente o Oscar Niemeyer. Tanto é que há cinco, seis anos atrás, eles moravam ali na Favela da Rocinha, quando começaram a erguer o Hotel Nacional ela dizia pra mim: ‘Tá vendo filho? Tá vendo Julinho? É homenagem do Oscar para mim’.

A vida na favela

"Não tenho nenhuma vergonha disso, de ter sido criado em favela, porque tem muita favela lá que é melhor do que essas coisas que estão construindo agora no Rio, que são casas de tijolo e cimento armado, mas que eu não trocava a favela onde eu me criei por esses empreendimentos que tão fazendo."

Censura musical

"O sujeito que trabalha lá, o trabalho dele é censurar música. Eu respeito muito o trabalho do cara, Quer dizer, terminou o dia: quantas músicas você censurou hoje? Ele fala: sete. O cara que censurar 17, por exemplo, vai ser promovido logo. Sobe de coisa. Eu também, meu trabalho é fazer samba, Quantos sambas você fez hoje? Oito, nove? No dia que eu faço dez vou dormir em paz com a minha consciência. Cada um no seu ramo."

Sucesso dos andróginos

"É esse negócio de Secos e Molhados, não é? Olha meu amigo, não. Com todo respeito, eu não ia fazer uma coisas dessas. Eu acho aquilo uma viadagem, entende? Agora, eu respeito o trabalho deles. Eu respeito o trabalho deles. Como eu respeito todo mundo."

Cicatrizes no rosto

"Eu tenho esse probleminha. Tem Pitanguy pra essas coisas. Por enquanto, não dá. Se eu colocar umas quatro ou cinco músicas de sucesso eu faço. Então, fica aqui um alô ao Pitanguy: se por acaso pintar alguma coisa e quiser fazer um trabalho de solidariedade. Ou se a ordem dos músicos financiar, não sei. A ideia fica lançada. Pode haver um show em benefício."

Voz para música

"Para falar a verdade, eu tenho bastante autocrítica, eu não sou bom cantor. Então eu só posso cantar depois da meia-noite. Porque lá pras oito ou nove horas, horário de teatro, ninguém me atura não. Não canto muito bem. Mas depois da meia-noite, como todo mundo canta, está todo mundo mais alegre, as pessoas nas mesas cantam. Eu sou um cara que canta no microfone como se estivesse cantando na mesa. Agora, o que eu estou vendendo ali não é minha voz, é meu material, minhas composições. Eu sou compositor."

 

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