Acervo Pessoal
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Chico Buarque responde ao biógrafo de Roberto Carlos

'Eu não me lembrava de ter dado entrevista alguma a Paulo Cesar Araújo', diz o cantor em comunicado

Julio Maria , O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2013 | 11h35

Chico Buarque pediu desculpas ao biógrafo de Roberto Carlos, Paulo Cesar de Araújo, depois que o escritor provou, por meio de imagens de vídeo e foto, que entrevistou sim o cantor, há 20 anos. Em artigo publicado no jornal O Globo de quarta-feira, Chico defendia a postura do grupo Procure Saber (que luta pela manutenção da lei que obriga a autorização prévia de uma biografia) e abriu seu artigo disparando: “Pensei que o Roberto Carlos tivesse o direito de preservar sua vida pessoal. Parece que não. Também me disseram que sua biografia é a sincera homenagem de um fã. Lamento pelo autor, que diz ter empenhado 15 anos de sua vida em pesquisas e entrevistas com não sei quantas pessoas, inclusive eu. Só que ele nunca me entrevistou.”

No mesmo dia, Paulo Cesar divulgou na internet a gravação da entrevista que fez com Chico Buarque em vídeo. Chico então divulgou o seguinte texto: “Eu não me lembrava de ter dado entrevista alguma a Paulo Cesar de Araújo, biógrafo de Roberto Carlos. Agora fico sabendo que sim, dei-lhe uma entrevista em 1992. Pelo que ele diz, foi uma entrevista de quatro horas onde falamos sobre censura, interrogatórios, diversas fases e canções da minha carreira. Ainda segundo ele, uma das suas perguntas foi sobre a minha relação com Roberto Carlos nos anos 60. No meio de uma entrevista de quatro horas, vinte anos atrás, uma pergunta sobre Roberto Carlos talvez fosse pouco para me lembrar que contribuí para sua biografia. De qualquer modo, errei e por isto lhe peço desculpas.”

Paulo aceita as desculpas. “Da minha parte, isso está resolvido”, diz. O assunto rendeu nas redes sociais. Muitos questionavam a memória de Chico, de como ele, que pouco dá entrevistas, seria capaz de se esquecer de uma com quatro horas de duração. Paulo não considera o lapso má fé. “Foi esquecimento.”

Desde que o debate das biografias foi aberto, integrantes do Procure Saber usaram o episódio da “entrevista que Chico Buarque não deu” como argumento para o atual clima de desconfiança perante os biógrafos. Durante sua participação no programa Saia Justa, do GNT, Paula Lavigne citou o caso. O advogado de Roberto Carlos, durante debate no Estado, também.

Chico disse ainda, em seu pedido de desculpas, que não deu entrevista ao jornal Última Hora, de São Paulo, conforme aparece no livro de Araújo, Eu Não Sou Cachorro Não. “Quanto à matéria da Última Hora, mantenho o que disse. Eu não falaria com a Última Hora (de São Paulo) de 1970, que era um jornal policial, supostamente ligado a esquadrões da morte. Eu não daria entrevista a um jornal desses, muito menos para criticar a postura política de Caetano e Gil, que estavam no exílio. Mas o biógrafo não hesitou em reproduzi-la em seu livro, sem se dar o trabalho de conferi-la comigo. Só se interessou em me ouvir a fim de divulgar o lançamento do seu livro. Não, Paulo Cesar Araújo, eu não falava com repórteres da Última Hora em 1970. Para sua informação, a entrevista que dei ao Mario Prata em 1974 foi para a Última Hora de Samuel Wainer, então diretor de redação, que evidentemente nada tinha a ver com a Última Hora de 1970, que você tem como fonte."

 

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