Editora Bloch/Arquivo Fotográfico
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Chico Buarque, na Discoteca Estadão

Chega às bancas o disco antológico que Chico lançou em 1976, com faixas como 'O Que Será' e 'Meu Caro Amigo'

Lucas Nobile, O Estado de S. Paulo

23 de outubro de 2010 | 08h00

Na metade dos anos 1970, Chico Buarque e Francis Hime estavam reunidos para compor. O pianista tocava uma valsa que havia feito recentemente na esperança do primeiro encaixar uma letra. Francis repetia a música por diversas vezes e Chico, com seu reconhecido perfeccionismo no trato com as palavras, não conseguia avançar. Encasquetado, perguntou ao parceiro se não tinha algum choro para ajudar a espairecer. Por sorte, o amigo tinha vários. Desfilou todos ao piano e, ao final, o que mais impressionou Chico havia sido justamente o primeiro. A partir dali, a valsa foi definitivamente deixada de lado e ele começou a trabalhar em cima da letra daquele novo tema instrumental.

 

O tal Choro nº1, como era chamado até então, acabaria ganhando versos antológicos de Chico, sendo rebatizado de Meu Caro Amigo. Letrada, a música foi lançada em 1976, inspirando até o nome do álbum Meus Caros Amigos, que chega amanhã às bancas como segundo volume da Grande Discoteca Brasileira Estadão.

 

O disco, um estouro de vendas na época - 500 mil cópias -, além de histórico na carreira de Chico, divulgou de vez a parceria com Francis. Eles, que já tinham dado provas do poder de seu trabalho em dupla com Atrás da Porta, gravada por Elis Regina.

 

A atuação de Francis no álbum não foi decisiva apenas no processo de composição com o parceiro. O pianista também assinou o arranjo de sete das dez faixas do disco: O Que Será (À Flor da Pele), Olhos nos Olhos, Vai Trabalhar, Vagabundo, A Noiva da Cidade, Passaredo, Basta um Dia e, obviamente, Meu Caro Amigo. As outras foram arranjadas por Perinho Albuquerque (Você Vai me Seguir e Corrente) e Luiz Cláudio Ramos (Mulheres de Atenas), com mudanças claramente perceptíveis feitas pelos dois violonistas em relação às concebidas pelo pianista Francis.

 

"Eu fazia os arranjos a partir das ideias que o Chico me passava, prestando muita atenção nas harmonias dele. Procurava não modificar nada, atuando mais como arranjador mesmo. Sem falar que o disco buscava uma produção mais arrojada, com o Sérgio Carvalho. O Chico era bastante exigente. Além disso, gravar com todas aquelas feras ficava fácil, era todo mundo lendo as partituras que eu escrevia. Eu planejava todas as orquestrações antes, fazia as vozes de todos os instrumentos no piano. A orquestra ficava mais integrada com as bases", diz Francis.

 

Os craques a que ele se refere, só para ter uma ideia do time que gravou Meu Caro Amigo, eram Altamiro Carrilho (flauta), Dino 7 Cordas (violão sete cordas), Abel Ferreira (clarinete), Alceu Maia (cavaquinho), Joel Nascimento (bandolim) e Edmundo Maciel (trombone). A nata dos músicos de choro do País na época.

 

Além disso, o disco pôde contar com um bom naipe de sopros e cordas, cedidos pela orquestra da própria gravadora, a Philips, e Meus Caros Amigos precisou de menos de três meses, tempo em que foi gravado e mixado, para perdurar até hoje. "É um disco muito importante. Na época, foi um acontecimento. Além das inéditas feitas só pelo Chico, fez também com que nossa parceria fosse mais divulgada a partir dali", conta Francis.

 

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