Chega novo CD de Snoop Dogg

Ele é um dos rappers prediletos de Ice Blue, integrante do principal grupo de rap brasileiro, os Racionais MC?s. Um dos projetos de Blue é trazê-lo para shows no Brasil, o que pode até acontecer ainda neste ano. Enquanto ele não vem, os fãs podem se ocupar ouvindo o mais recente trabalho do californiano Snoop Dogg, The Last Meal.Apesar da capa do CD, que mostra o rapper atrás das grades recebendo sua última refeição, o trabalho mostra a tomada de atitude de Snoop, ou Calvin Broadus, que agora foge do gangsta rap e, apesar das letras ainda machistas, diminui na violência. A capa do disco faz uma alusão ao corredor da morte, do qual o rapper escapou.Não que ele tenha sido condenado pela Justiça, mas como ex-integrante de uma ala do rap que foi dizimada ? rappers que cantavam a vida bandida por terem vivido nela, como Tupac Shakur e Notorius B.I.G., ambos assassinados ? ele pode se considerar um vitorioso. O novo disco fecha também uma fase da vida de Snoop.Em 1998, ele deixou a gravadora Death Row para se aliar a No Limit, do rapper Master P, onde fechou um contrato para quatro discos, que acaba agora com Tha Last Meal. O trabalho também marca a volta a um som mais funk, como no início de sua carreira, com o disco Doggstyle, de 1993, e que vendeu quatro milhões de cópias só nos Estados Unidos.O novo CD também tem a marca Dr. Dre, que o produziu e foi quem ?descobriu? Snoop. Em 1992, enquanto fazia seu disco The Chronic, Dre, integrante do grupo N.W.A. (Niggers With Attitude) ouviu uma fita demo de Snoop e o convidou a participar do disco, produzindo no ano seguinte o álbum de estréia do rapper.O gangsta (de gangster) rap se caracterizou por músicas nas quais a violência era o assunto principal, mas colocando os próprios rappers como protagonistas. Snoop, por exemplo, tem passagens pela polícia por tráfico de drogas e por fazer parte de uma gangue de Los Angeles, os Crips.O rapper ainda foi inocentado em 96 de uma acusação de cumplicidade em um assassinato. Seu guarda-costas havia matado um homem na época do lançamento de seu segundo CD, The Doggfather, que vendeu dois milhões de cópias, mas que mostrava o esgotamento do estilo gangsta rap.Agora casado e com três filhos, Snoop afirmou amar a vida e procurou mostrar isso no CD. Entre outras participações especiais, há a do DJ Quick, também um ex-integrante de gangues, que fazia parte dos Bloods, grupo rival ao que Snoop pertencia.A nova atitude de Snoop rendeu um álbum verdadeiro e, recheado de backing vocals femininos, bastante potente, que pode ser seu passaporte para uma longa carreira e, quem sabe, com passagem pelo Brasil.

Agencia Estado,

28 de janeiro de 2001 | 18h35

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