Chega ao Brasil álbum indédito de João Donato

Em 1970, João Donato, já mais de uma década morando nos EUA, decidiu gravar, em Los Angeles, A Bad Donato, um disco em que faz uma fusão de MPB com jazz, funk, rock e eletrônica. Mais comentado do que ouvido, A Bad Donato, lançado na época pela pequena Blue Thumb, logo saiu de catálogo. No Brasil, nunca chegou a ser comercializado. E a versão que chega agora pela gravadora Dubas só encontra similar no mercado do Japão, onde João Donato é reverenciado. Nessas três décadas, o disco, talvez até por influência do nome, tornou-se "maldito", ainda que o próprio autor deboche da sua fama de mau, como evidencia a foto da contracapa em que ele aparece "fantasiado" de hippie. Como confessa no encarte que acompanha o CD, Donato não sabia o que queria nem como gravaria. Quando entrou nos estúdios, Donato já tinha idéias mais claras. Pretendia usar instrumentos em dupla e sabia também com quem queria cercar-se: músicos americanos com que já trabalhara (o saxofonista Ernie Watts, o flautista Bud Shank, o trompetista Jimmy Zito, o clarinetista Don Menza) e velhos parceiros do tempo da bossa nova, como o baterista Dom Um Romão e o violonista Oscar Castro Neves.Em A Bad Donato, que reúne dez composições próprias e inéditas, ele se mostrava antenado com o que acontecia na época, do psicodelismo ao movimento hippie, do interesse pela astrologia às experiências com o LSD. Basta ver o nome de algumas das composições, como Celestial Showers, Luna Tune e Straight Jacket. O disco também seria um antecipador da onda discoteca, além de servir de modelo para trabalhos posteriores tanto de conterrâneos de João Donato, quanto de músicos americanos, como o tecladista George Duke, o contrabaixista Stanley Clarke e o vibrafonista Cal Tjader.

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