Charlie Brown Jr. está de volta com nova turma

Alexandre Magno Abrão, o Chorão, vocalista da banda Charlie Brown Jr. Chorão, de 35 anos, boné, calça larga e camiseta, adorado pelos adolescentes, com o estilo de som feito por sua banda, que fez fama misturando hardcore, ska, hip hop e reggae. "Minhas letras falam de sentimentos que são comuns ao ser humano", arrisca ele, que concedeu entrevista ao Grupo Estado, para falar sobre o novo CD, gravado pelo novo Charlie Brown Jr., Imunidade Musical, que deve ser lançado no fim do mês pela EMI. Chorão vem de uma sucessão de tropeços e confusões, desencadeada no ano passado, com a polêmica agressão a Marcelo Camelo, do grupo Los Hermanos. Assunto-tabu, que não pôde ser tocado durante a entrevista. Episódio colocado em fogo brando, no fim do ano passado, o grupo lançou o CD Tamo Aí na Atividade. Em março, Chorão atropela três pessoas em Santos. Com poucos meses de estrada para divulgar o novo trabalho, chega a notícia de que Chorão, Pelado, Champignon e Marcão estariam em férias e, junto, os rumores de uma separação, que se confirmaram em abril. O apelido Chorão vem de infância, quando ainda era o mascotinho da turma do skate em Santos. Falemos, então, do 8.º CD do grupo e do Charlie Brown Jr. reformulado. Debandaram Pelado, Marcão e Champignon, ficou Chorão, fundador do grupo, que trouxe de volta o guitarrista Thiago Castanho, integrante do Charlie Brown Jr. até o terceiro álbum Nadando com os Tubarões. "Ele conhece muito o trabalho da banda, percorreu o caminho paralelo de anonimato durante 4 ou 5 anos, quando abríamos shows para outras bandas, fazíamos o circuito underground", conta. Agregou também o baixista Heitor Gomes e o baterista Pinguim. "Heitor é um baixista excepcional. O moleque já tocou em várias bandas." Quanto a Pinguim, descreve como "o baterista que todo mundo gostaria de ter na banda." "Ele gravou 23 músicas em dois dias, sem emendas, o que é muito importante." A banda gravou 25 músicas, mas só entraram 23, espaço máximo que o CD comportava. As duas músicas que ficaram de fora vão ser disponibilizadas no site da banda, o www. charliebrownjunior.com.br. Mais uma vez com a produção de Rick Bonadio, Imunidade Musical acaba funcionando como redenção para o vocalista, principalmente em canções como Lutar pelo Que É Meu, primeira música de trabalho do disco, que já está nas rádios. "A gente passa a entender melhor a vida/ Quando encontra o verdadeiro amor/ Cada escolha uma renúncia/ Isso é a vida/Estou lutando pra me recompor", traz um trecho. Mantendo a base hardcore, ska e hip hop, Chorão e companhia experimentam novas sonoridades, em combinação com as próprias. Há ainda a clássica canção de Geraldo Vandré, Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores, que só foi liberada pelo próprio compositor um dia antes da entrevista. "Meu sonho é fazer um CD Chorão e Amigos", brinca. Recentemente, Chorão inaugurou uma pista de skate em Santos, aberta dois dias da semana para o público e o restante, para ele e os amigos. Ele, em parceria com a Gullane Filmes, tem planos de produzir um filme definitivo sobre o rock nacional. "Será uma história sobre a cena rock atual brasileira. É sobre um rock star que, no filme, não é o Chorão, mas amigo dele", conta o produtor Caio Gullane. Chorão, que assina o roteiro, a trilha sonora e ainda fará uma ponta no papel dele mesmo, diz que será um filme sobre o mundo urbano, o skate e a música. Com o título provisório de O Magnata, o longa, a ser dirigido por Johnny Araújo (que já dirigiu vários clipes do cantor), deve começar a ser rodado em janeiro e lançado ainda em 2006, em 3 de julho, Dia do Rock. Enquanto isso, a partir de segunda, Chorão é a nova atração do programa Família MTV.

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