Serjão Carvalho/Estadão
Serjão Carvalho/Estadão

Chance, the Rapper, diz que anúncio de nova cerveja da Heineken é racista

Empresa retirou de circulação o anúncio, descrito pelo rapper como "terrivelmente racista"

Jill Serjeant, Reuters

27 Março 2018 | 18h38

A fabricante de cerveja Heineken comunicou na terça-feira, 27, que retirou o anúncio de uma cerveja de baixa caloria depois que o músico Chance the Rapper classificou o comercial como "terrivelmente racista". Após o exemplo mais recente de marketing mal calculado, a Heineken disse que está cancelando a propaganda em vídeo da Heineken Light em todos os mercados globais.

"Embora acreditemos que o anúncio faz referência à nossa cerveja Heineken Light, erramos o alvo, estamos levando a reação a sério e usaremos isto para influenciar campanhas futuras", informou a empresa em um comunicado.

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O comercial em vídeo trazia o slogan "Sometimes Lighter is Better" – no qual a palavra 'lighter' pode ser traduzida como 'mais leve', mas também como 'mais clara' – e mostrava um bartender deslizando uma garrafa de Heineken Light diante de várias pessoas de cor que vai parar diante de uma mulher de pele clara. A decisão de retirá-lo de circulação veio na esteira de tuítes de Chance, the Rapper, nativo da cidade norte-americana de Chicago, que possui muitos seguidores nas redes sociais. "Acho que algumas empresas estão lançando propositalmente anúncios claramente racistas para receber mais visualizações".

"Mas preciso falar. O comercial 'sometimes, Lighter is Better' da Heineken é terrivelmente racista, meu Deus", tuitou o cantor vencedor do Grammy no domingo.

O intérprete de Coloring Book disse não estar defendendo um boicote e acrescentou que "só estou reparando com quanta frequência isso acontece". No comunicado, a Heineken disse ter um longo e "positivo histórico de criação de marketing que mostra que existem mais coisas nos unindo do que nos dividindo". A empresa disse que a Heineken Light só tem 99 calorias.

Várias companhias sofreram acusações de racismo em anúncios recentes. Em janeiro a grife H&M se desculpou por um pôster que mostrava uma criança negra vestindo um casaso com gorro decorado com as palavras "o macaco mais bacana da floresta" na frente. No ano passado a Pepsi cancelou um comercial com a modelo norte-americana Kendall Jenner depois de queixas segundo as quais ele banalizar os protestos por direitos civis do movimento Black Lives Matter, e a marca de cosméticos Dove pediu desculpas por um vídeo que parecia mostrar uma negra se transformando em uma branca depois de usar seu sabonete.

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