Cesaria Évora incursiona pela África e cai na batucada

Aos ouvintes menos atentos, os álbuns de Cesaria Evora podem soar sempre invariáveis em seu desfile de mornas e coladeras, ritmos tradicionais de seu país, Cabo Verde. O formato, elementos como o mar e a banda liderada pelo pianista Nando Andrade podem não variar muito. O fato de se manter fiel à tradição, porém, não significa que a cantora esteja ali estagnada. Em Rogamar (Sony/BMG) Cesaria acerta outra vez, reunindo um feixe de canções de beleza ímpar, que sua voz só intensifica. Como isso também já era de prever, vamos aos detalhes. Se em trabalhos anteriores ela se aproximou de Cuba e do Brasil, agora vai à África continental, gravando Ray Lema (do Congo) e o senegalês Ismael Lô, que canta com ela em África Nossa. Comovente. Se o álbum anterior tinha o bandolim de Hamilton de Holanda, neste, outro brasileiro, Jaques Morelenbaum, é responsável pelas cordas em seis faixas. Dos cabo-verdianos, ela não só escolheu Teófilo Chantre e Manuel d´Novas, dentre seus prediletos, como trouxe jovens autores, como Constantino Cardoso e Jon Luz. São Tomé na Equador, parceria de Lema com Chantre, que tem o acordeom de Regis Gizavo (de Madagascar), é uma das faixas de destaque. Outra boa surpresa, entre muitas do CD, é a batucada carnavalesca Mas um Sonho, mais um sinal de sua expansão dentro do próprio país.

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