Cesar Maia critica atitudes de Siro Darlan

A confusão ocorrida no domingo à tarde, antes do início do show do grupo Planet Hemp, no Sambódromo, está provocando bate-boca entre o Executivo e o Judiciário. Para o prefeito Cesar Maia (PFL), o juiz da 1ª Vara da Infância e da Juventude, Siro Darlan, está com "um desvio de foco e de prioridade" em suas ações, já que vem "censurando" novelas, modelos, shows e até a ação de delegadas. "Tudo isto ocorrendo simultaneamente pode demonstrar um certo ´estresse´ da autoridade", comentou por e-mail o prefeito. Darlan não se intimidou com o comentário irônico. Para ele, estressante é realizar um trabalho "em uma cidade onde não há políticas públicas para crianças".No domingo, o problema ocorreu porque ele determinou que jovens menores de 18 anos não poderiam assistir ao show do grupo, promovido pela Prefeitura e pela Rádio Cidade. Ele acabou voltando atrás em sua decisão para evitar um maior conflito entre o público - estimado em 40 mil pessoas - e os policiais militares.Darlan disse que concedeu uma liminar em resposta ao Ministério Público, que entrou com uma ação civil pública solicitando uma antecipação de tutela. O juiz criticou o trabalho do grupo de rock, que ele chama de "Planeta Maconha", por fazer apologia das drogas. "O grupo estimula o uso da maconha. Não podemos ficar omissos. A situação impõe que a autoridade judiciária se pronuncie", comentou, acrescentando que o parecer do MP foi todo baseado nas letras das músicas da banda.O juiz da 1ª Vara da Infância e da Juventude disse que os organizadores do evento não pediram alvará para realizar o show e que o Juizado apenas recebeu, no dia 17, uma informação de que o show seria realizado no dia 22. Ele também não poupou a Polícia Militar. Segundo ele, no dia 20 a PM - assim como a Prefeitura - foi notificada de que a entrada de menores de 18 anos seria proibida. Para a Darlan, a polícia deveria ter se programado melhor para esta situação. "Houve desorganização por parte dos organizadores do evento.Não providenciaram alvará, houve falta de policiamento e havia apenas um portão de entrada", comentou. O juiz diz que voltou atrás para que não acontecesse "um massacre" no sambódromo.O prefeito César Maia diz que a Prefeitura "cumpriu com todas as obrigações que lhe cabia num evento como esse". "Não cabe a prefeitura a escolha dos artistas e muito menos exercer um papel de censor". Ele ainda argumentou que se algum artista comete um delito, as autoridades específicas devem adotar medidas. Ele disse ainda estranhar que "CDs do referido conjunto não tivessem recebido qualquer ação restritiva ou proibitiva das autoridades". "Neste caso, nem ação, nem críticas e recomendações abertas foram feitas semanas antes, que pudessem previamente orientar os promotores do evento", concluiu.Darlan rebateu lembrando que no ano passado menores de 18 anos foram proibidos de entrar em um show do Planet Hemp no Canecão. E ainda alfinetou. "O prefeito, em parte, tem razão. Pela lei brasileira, fazer apologia do uso de drogas é fato criminoso e as autoridades competentes deveriam estar mais atentas a isto", ressaltou, lembrando que não cabe ao juizado fazer este tipo de ação. "Não temos competência para isto e não temos intenção de sermos censores", acrescentou.Darlan ainda terá que explicar ao MP o porquê de ter voltado atrás em sua decisão. Segundo ele, antes de tomar uma atitude como esta o juiz deve consultar os promotores. "Era um estado de emergência. Vou fundamentar o que fiz em um documento que será encaminhado em breve à promotoria", garantiu.O empresário do Planet Hemp, Marcelo Lobato, afirmou que a briga que aconteceu na passarela do samba foi ocasionada pela decisão do juiz. Para Lobato, Darlan, que ele qualificou de "juiz multimídia", tomou esta decisão "para aparecer". O prefeito César Maia acrescentou que, após os incidentes iniciais o evento transcorreu tranqüilo, "mostrando que não era o show em si o incitador da violência".

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