JF Diório / Estadão
JF Diório / Estadão

Centro da Terra anuncia novas atrações do projeto 'Segundamente'

Teatro consolida a residência artística todas as segundas-feiras e terá Rafael Castro, Saulo Duarte, Rita Oliva, Maurício Takara e Alessandra Leão

Pedro Antunes , O Estado de S.Paulo

30 Julho 2017 | 06h01

Maurício Takara, multi-instrumentista e baterista de bandas livres à experimentação, o Hurtmold e o São Paulo Underground, se assustou quando recebeu o convite para ingressar na viagem proposta pelo Centro da Terra, o simpático teatro da zona oeste de São Paulo. Ao ouvir a ideia de Alexandre Matias, jornalista e curador de música do espaço, imaginou como criaria um projeto para se adequar ao esquema proposto pelo teatro, uma espécie de residência artística livre. 

Iniciado em março deste ano, com as performances de Tatá Aeroplano, a proposta agora tem nome oficial: Segundamente. A ideia é que um mesmo artista se apresente em quatro segundas-feiras do mês, mostrando, no palco do teatro, shows distintos e, por vezes, relacionados. “A gente pede para o artista criar uma obra que se espalhe por quatro segundas-feiras. E que sejam novas facetas, uma narrativa. E eles abraçaram a proposta de forma muito intensa”, diz o curador, também criador do site Trabalho Sujo. 

Takara viu, ao conversar sobre a proposta, a chance de experimentar a chamada Música Resiliente em Camadas Lentas, cuja explicação parece complexa, mas é bastante simples. A ideia é criar uma narrativa contínua entre as segundas-feiras: na primeira, ele e mais dois músicos criarão livremente sobre uma base pré-gravada por Takara; na semana seguinte, a base já inclui trechos da segunda anterior e mais improvisos são feitos; e por aí seguirá, a cada semana, para criar uma mesma peça. “Tinha essa ideia de partir de uma música que começa bem pequena, no sentido de informação musical”, diz ele. “Vamos sobrepondo camadas, bem lentamente até se transformar em outra coisa.” 

Desde Tatá, o palco do Centro da Terra recebeu as performances de Luísa Maita, Tiê, Thiago França e Negro Leo, entre outros. O Estado revela, com exclusividade, os cinco convocados para os próximos meses. Takara se apresentará em agosto; em setembro, será a vez de Rafael Castro; Saulo Duarte (da banda Saulo Duarte e a Unidade) fica com as primeiras quatro semanas de outubro; Rita Oliva, com o seu projeto solo Papisa, toca uma única noite, na última segunda do mês, dia 30; por fim, novembro ficará com Alessandra Leão. 

“(É uma oportunidade que) oferece uma liberdade para experimentar coisas e encontros que não conseguiríamos fazer em outro lugar”, avalia Alessandra, cuja experiência – a ideia de explorar sonoridade, formatos e linguagem –, a ajudará a trabalhar no próximo disco, previsto para 2018. O mesmo dizem Rafael Castro, Saulo e até Rita Oliva. 

Empolgado com a oportunidade de ter quatro segundas-feiras “para brincar”, Castro vê no projeto a chance de colocar em prática o que não sai do campo das ideias. “Ter um deadline ajuda, né?”, brinca – um dos shows, ele adianta será o projeto chamado Fael e Fabiano, no qual ele tocará músicas de sertanejo universitário criadas por ele. Já Saulo terá a chance de, em quatro semanas, se ver sem a Unidade, banda que ele ainda integra, para testar parcerias e formatos do álbum solo. “É algo mais íntimo, não é?”

Como diz Matias, trata-se de uma “provocação”. “São Paulo já tem uma cena de música num estágio bastante consolidado”, ele avalia. “Então, como sair do ciclo do lançamento de disco? Acho que é a existência da criação pura. De quem foi àquele show, foi. Se não foi, perdeu.”

A delicadeza de Papisa, o novo som de Rita Oliva

Desde que iniciou o projeto Papisa, com o qual lançou um EP de três músicas no ano passado – e apresentado por uma adorável capa na qual ela aparece com uma gata preta no ombro, a Robinha –, Rita Oliva vem se dedicando a experimentar o palco. 

Integrante de bandas como Cabana Café e do Parati, Rita encontrou inspiração para o novo projeto em “experiências e vivências bastante particulares” e no feminino. E as reveste, no EP, de guitarras e alguns elementos eletrônicos.

“Tenho conseguido tocar bastante. E é essa experiência que tem me ajudado a definir o que quero para a Papisa”, diz ela. “Tenho explorado as possibilidades e formatos, com pedais, loopings, coisas assim. Quero criar algo que seja sensorial.” O disco cheio deve sair em 2018. 

SEGUNDAMENTE

Centro da Terra. R. Piracuama, 19, Sumaré, tel. 3675-1595. 

Todas as segundas-feiras, a partir de 7 de agosto, às 20h. R$ 30. 

PROGRAMAÇÃO 

Maurício Takara 

Nos dias 7, 14, 21 e 28 de agosto, o artista mostra o projeto Música Resiliente em Camadas Lentas, que consiste em criar a partir de uma base sonora mínima preestabelecida e incorporar, semana a semana, o material registrado na segunda anterior. 

Rafael Castro

Em setembro, nos dias 4, 11, 18 e 25, Rafael Castro mostrará pelo menos dois shows inéditos. Além da apresentação do seu álbum solo, pode haver um show com músicas sertanejas e experiências com convidados. 

Saulo Duarte

Saulo Duarte recentemente foi premiado como melhor grupo de canção popular ao lado da Unidade pelo disco ‘Cine-Ruptura’, do ano passado. Em outubro, nos dias 2, 9, 16 e 23, ele fará suas primeiras experiências solos. 

Papisa 

Com apresentação única na noite de 30 de outubro (a quinta segunda-feira do mês), Rita Oliva vai explorar a introspecção e as camadas sonoras da Papisa, cujo primeiro disco chega em 2018.

Alessandra Leão

A cantora e compositora tem, nas segundas-feiras de novembro, dias 6, 13, 20 e 27, a oportunidade de experimentar e decidir qual caminho tomará em seus dois próximos projetos: um disco e um show solo. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.