Rogelio Solis/Efe
Rogelio Solis/Efe

Centenas de pessoas se despedem de B. B. King em seu funeral

A cerimônia ocorreu no sábado (30), em uma igreja do Delta do Mississippi

Emily Wagster Pettus, AP

31 de maio de 2015 | 18h48

Centenas de pessoas se reuniram no sábado (30) para se despedir de B. B. King, o rei do blues. O funeral aconteceu numa igreja do Delta do Mississippi, em cujas plantações de algodão King trabalhou como rendeiro, antes de conquistar fama mundial como o cantor e guitarrista de blues que viria a influenciar gerações de músicos.

King morreu em 14 de maio, em Las Vegas, quando contava 89 anos. Por determinação sua, o corpo foi levado, numa última viagem de volta para casa, para seu o Mississippi natal. Debaixo de chuva, cerca de 500 pessoas lotaram o templo da Bell Grove Missionary Baptist Church, uma construção de tijolos aparentes, situada à beira da B. B. King Road, na cidade de Indianola. Mais de 200 outras pessoas que não puderam entrar na igreja acompanharam o funeral por um telão, no salão da congregação, muitas delas agitando leques que estampavam fotos em preto e branco de um King sorridente, abraçado a Lucille, sua inconfundível guitarra preta.

No início da cerimônia, os familiares passaram em fila pelo caixão aberto, que tinha uma imagem de Lucille bordada no acolchoado branco da face interna da tampa. Em seguida, o caixão foi fechado e coberto com um enorme arranjo de rosas vermelhas.

O reverendo Herron Wilson, que proferiu o necrológio, disse que King era uma prova de que as pessoas são capazes de vencer e triunfar sobre circunstâncias difíceis.

“As mesmas mãos que colhiam algodão, um dia dedilharam as cordas de uma guitarra em palcos nacionais e internacionais. É incrível”, disse Wilson.

O cantor de country Marty Stuart disse que King deixou um legado musical para o Estado em que os dois músicos nasceram. “Como seu conterrâneo mississippiano, para mim é um orgulho andar pelo mundo à sombra de B. B. King”, disse Stuart.

Ao entrar na igreja, o governador do Estado, Phil Bryant, lembrou dos momentos que passou com King no ônibus que o músico usava em suas turnês, antes de um show em Indianola, no ano passado. Bryant disse que King tinha orgulho de ser do Mississippi. Referindo-se às milhares de pessoas que vieram a Indianola para o velório público, na sexta-feira, e para o funeral do músico, no sábado, Bryant disse: “Ele teria gostado muito de saber que mais uma vez está ajudando o Delta do Mississippi”.

Tony Coleman, baterista de King durante 37 anos, disse que o colega jamais adotou para si o título honorário que outras pessoas usavam para se referir a ele: o “Rei do Blues”.

“Ele achava que o blues era o rei, e que a responsabilidade dele era fazer com que o blues continuasse rei”, disse Coleman ao entrar na igreja.

Os integrantes de um coral infantil mantido pelo B. B. King Museum batiam palmas enquanto entoavam canções gospel.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enviou uma carta que foi lida em voz alta pelo amigo de King e deputado democrata pelo Estado do Mississippi, Bennie Thompson: “O blues perdeu seu rei e os Estados Unidos perderam uma lenda”, escreveu Obama. “Ninguém deu mais duro na vida do que B. B. King. Ninguém fez mais para espalhar o evangelho do blues. Ele fica na cabeça da gente, faz a gente se mexer, leva a gente a fazer coisas que provavelmente não deveríamos fazer — mas que sempre ficamos contentes em fazer”, disse Obama em sua carta.

Mais de 4 mil pessoas viram o caixão aberto na sexta-feira (29), no B. B. King Museum and Delta Interpretive Center, em Indianola.

Um dos filhos do músico, Willie King, de Chicago, disse que seu pai o ensinou a reagir com amor à raiva dos outros.

“É um sujeito que saiu das plantações de algodão mal sabendo ler e escrever, e você pega as canções dele e junta os quatro cantos do mundo — é uma coisa extraordinária”, disse Willie King na sexta-feira, no museu, onde seu pai será enterrado.

O velório público foi praticamente uma cerimônia com honras de Estado, com policiais da Mississippi Highway Patrol, em uniforme de gala, postados em ambas as extremidades do caixão. Duas das guitarras pretas usadas por King foram colocadas entre coroas de flores.

O guitarrista de blues Buddy Guy, 78, disse que sempre teve vontade de visitar o B. B. King Museum em companhia de seu velho amigo.

“A mão esquerda dele era um efeito especial”, disse Guy, referindo-se ao talento que King tinha para arquear as cordas e fazer a guitarra cantar.

“Esse pessoal que toca hoje em dia, o sujeito aperta um botão e sai uma distorção”, disse Guy. “Ele não precisava disso, não. Foi ele que inventou esse negócio.”

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