Centenas de fãs visitam o túmulo de Jim Morrison

Há um clima dos anos 60-70 no cemitério parisiense Père Lachaise. Nas alamedas se cruzam aspirantes a hippies de todas as idades, que se dirigem para um túmulo recoberto de flores, fotografias, cartas, pequenos presentes. No dia 3 de julho, há 35 anos, morria o ídolo de várias gerações, o líder do The Doors, Jim Morrison, que na época tinha 27 anos. Nesta terça-feira, fãs continuam visitando o túmulo de Morrison. Inesquecível ícone do rock, Morrison compôs obras antológicas como The End, Light my Fire e Riders on the Storm, verdadeiras poesias cantadas. O seu túmulo, em uma esquina do cemitério parisiense, atrai diariamente centenas de visitantes de todas as idades e de todos os países. Ao redor da lápide, há muitas pessoas de diferentes culturas e nacionalidades, vestindo camisetas com a foto de Morrison. Geralmente o cemitério dispõe um vigia para o túmulo de Morrison, mas na última segunda-feira haviam cinco. "Cerca de 300 pessoas o visitam (o túmulo) diariamente". Às vezes o fanatismo dos fãs pode chegar ao vandalismo: os guardas explicam que até as tumbas próximas à do líder do The Doors estão grafitadas, riscadas, desenhadas ou trazem alguns versos poéticos. Na própria lápide, além de rosas e cartas, os peregrinos também deixam outros objetos. Sandrine Torelli, presidente da Associação Lezard King, responsável pela proteção ao monumento fúnebre, contou à ANSA que muitas visitantes deixam os próprios sutiãs e calcinhas. Diversos seguidores do amor livre consumam suas relações sexuais sobre a lápide de pedra. "Pela manhã encontramos preservativos usados", comenta Sandrine Torelli, que também achou uma homenagem inusitada à memória de Jim: um bastão enterrado com um pepino enfiado nele. Morrison faria 63 anos em 8 de dezembro próximo e alguns ainda alimentam uma lenda metropolitana, que sugere que ele está vivo pelas ruas da capital francesa e que a sua morte, em um hotel parisiense (cujas circunstâncias nunca foram completamente esclarecidas), foi uma farsa. Para se sentirem perto dele, fazem coisas no limite da legalidade: há alguns meses em um site de vendas um jovem leiloou algumas pedras do túmulo. Como certificado de garantia, incluía a sua foto, com o rosto coberto, enquanto saqueava a lápide. Nas cartas, "os fãs falam de si mesmos, lhe dedicam poesias, falam de suas saudades e que o amarão para sempre", comenta Sandrine Torelli, cuja associação organiza exposições reunindo as cartas mais emocionantes. Quem acredita no misticismo, encontra no Pere Lachaise um prato cheio. "Por um certo período, um gato parava diariamente sobre o túmulo de Jim, e só nele. Quando os turistas chegavam para tirar fotos, o gato posava para eles", conta Sandrine Torelli.Matéria corrigida às 17h25. Jim Morrison morreu em 03/07

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