Cenário projeta crescimento do mercado de shows

Arenas deixadas pela Copa podem impulsionar ano excepcional

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

03 de novembro de 2014 | 19h44

O Brasil consolidou sua posição de líder em shows internacionais na América do Sul. Segundo estudo do Ministério do Turismo, o setor faturou R$ 357 milhões no ano passado e pode fechar com R$ 496 milhões este ano (os mercados que vêm a seguir são os da Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Equador).

Segundo especialistas, as arenas erguidas pela Copa do Mundo servirão para multiplicar esses ganhos até 2018, incrementando o faturamento em até 39% - em São Paulo, a arena Allianz Parque (antigo Palmeiras), que inaugura os megashows no próximo dia 25, com Paul McCartney, deve monopolizar os espetáculos internacionais. Uma empresa de camarotes está vendendo lugares para 26 megashows no ano que vem no local.

O ano de 2015 promete ser um dos mais agitados no País, por conta da realização dos festivais Lollapalooza, Rock in Rio e o Tomorrowland (maior evento de música eletrônica, pela primeira vez no País, com previsão de receber 180 mil pessoas em Itu, no interior de São Paulo). Há também expectativas de shows dos Rolling Stones (agora em outubro) e U2. Nesse cenário, São Paulo é a líder inconteste, já se equiparando à Cidade do México em agenda de show biz. 

“Um dos legados da Copa do Mundo foi a construção e ampliação dos estádios, que se encontram hoje melhor preparados para abrigar shows com estruturas de grande tamanho, atraindo mais visitantes”, disse há alguns dias o ministro do Turismo, Vinicius Lages. 

A pré-venda do Rock in Rio 2015, no Rio de Janeiro, reflete essa euforia. Serão colocados à venda, a partir das 10 horas do dia 18 de novembro, 20 mil ingressos a mais do que os que foram vendidos em 2013 (quando 80 mil ingressos foram vendidos em apenas 52 minutos sem nenhuma atração ainda confirmada).

Aquele que se autodenomina “o maior festival de música e entretenimento do mundo” será realizado nos dias 18, 19, 20, 24, 25, 26 e 27 de setembro de 2015, na Cidade do Rock do Rio. 

Embora com algumas baixas, como o SWU, o Sónar e o Planeta Terra (que cancelou sua edição 2014), muitos outros festivais se consolidaram nos últimos anos. A segunda edição do Lollapalooza brasileiro, no ano passado, injetou US$ 26 milhões na economia e atraiu 167 mil pessoas. Para a edição 2015, especulam-se as presenças de Robert Plant, Pharrell Williams, Jack White, Grouplove, Kasabian e Skrillex.

A Virada Cultural de São Paulo atrai 4 milhões de pessoas. O Festival de Verão de Salvador, este ano, levou 120 mil pessoas à Bahia; e o Festival Planeta Atlântida atraiu 70 mil pessoas ao Rio Grande do Sul e 65 mil a Santa Catarina. Segundo a publicação Rockin’ Chair, na primeira metade de 2014, o País recebeu 262 artistas estrangeiros, o que o site considerou “um ótimo número para um ano que, aparentemente, iria ser menos musical e mais esportivo”. 

O Rockin’ Chair detectou uma queda no preço dos ingressos: em 2013, pagava-se, em média, R$ 229 pelo ingresso mais barato (evento com mais de 10 mil pessoas) e R$ 142 (entre 2 e 10 mil pessoas). Na primeira metade de 2014, esses preços baixaram para R$ 189 e R$ 133. 

Segundo outro estudo, que será divulgado hoje pela JLeiva Cultura & Esporte, Cultura em SP: Hábitos Culturais dos Paulistas, a principal motivação do chamado turismo artístico em São Paulo é a música (30% viajam para ver shows), e a principal destinação no Estado é a capital, São Paulo (32% dos paulistas dizem rumar para a metrópole). 

O estudo da JLeiva mostra que o sertanejo é o gênero mais ouvido pelos paulistas (entre 40% e 53%), enquanto o rock representa apenas cerca de 20%, seja na capital ou no interior. “A idade parece impactar bastante na preferência dos gêneros. O que eu achei curioso é a queda do rock entre os 45 e 59 anos, 16%, e de diversos outros ritmos entre os jovens nas duas últimas décadas, como os casos do rap, hip hop, música eletrônica e funk”, disse João Leiva, e idealizador da pesquisa e diretor da JLeiva. 

O estudo anuncia-se como o maior levantamento do gênero. Foram entrevistadas cerca de 8 mil pessoas em 21 cidades. Os dados serão apresentados hoje e amanhã na Pinacoteca, com debates com nomes como Alessandro Janoni (Datafolha), Alexandre Matias (jornalista) e Hugo Possolo (ator).

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