Cena dos anos 90 nasceu na periferia

Alto platô paulistano. Início da década de 90. Enquanto o grunge dominava as rádios jovens e a música pop eletrônica mantinha-se escondida em clubes europeus, uma geração de novos DJs e produtores brasileiros começou a se organizar. Em bairros periféricos de São Paulo, os rapazes, muitos adolescentes, se reuniam em casas noturnas como Overnight, Toco e Sound Factory para colocar o público para dançar. "Todo mundo fala do Marky, mas poucos sabem que antes de tocar no Lov.e ele se apresentava na Toco e na Sound Factory", afirma Ramilson Maia, o Ram Science, que lançou este ano pelo Sambaloco o álbum É Música.De lá para cá, quase dez anos se passaram e a música pop eletrônica dominou os principais clubes da cidade. Formou-se, a despeito dos descrentes, uma cena original e bem estruturada, tipicamente brasileira. O que une estes dois períodos são os seus protagonistas, ainda os mesmos. A diferença está na organização e importância internacional que eles adquiriram. Xerxes, Ramilson Maia, Guilherme Lopes, Anderson Soares, Marky, Bruno-e não só desenvolveram uma linguagem própria, com citações de música brasileira, como têm influenciado DJs dos principais clubes londrinos.Devido a eles, a música eletrônica pop brasileira cresceu em qualidade e quantidade na década de 90. Ramilson atribui este salto a um único motivo: "Cativamos o público por causa dos DJs. Todos os novos produtores foram DJs. Sabemos o que o público gosta na pista". Esta super-valorização dos DJs não é gratuita. São eles os primeiros a tocar os sons nas pistas e colocar o público em contato direto com o trabalho do produtor. Brasil afora - A cena não está restrita a São Paulo. Do Rio de Janeiro, a cooperativa de DJs BUM (Brasilian Underground Music) assemelha-se em ideologia e sonoridade ao movimento de São Paulo. De Fortaleza, o Fomanoise costuma fazer bastante barulho.Em Alagoas e em outras três capitais do Nordeste, o Praga Tecno desenvolve projetos quase acadêmicos para divulgar a música pop eletrônica. Acabaram de lançar a primeira coletânea Sombinário#1, que reúne os principais DJs do Nordeste. Formado por djs, produtores musicais, webmasters e promoters, tem como lema "Paz, amor, tecnologia & groove", uma adaptação do idealismo hippie para o ano 2000. Vale visitar o site do grupo (www.pragatecno.al.org.br) para tomar um banho de cyber cultura.

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