Celso Viáfora traz a SP suas novas canções

Nascido no bairro da Luz, o compositor e sambista Celso Viáfora nunca foi bairrista - mas sabe que os paulistanos são, como mostra Auto-Retrato, de seu álbum A Cara do Brasil (1999). Ama São Paulo e não faz planos para deixá-la. No entanto, não descarta a hipótese de ter um cantinho no Rio de Janeiro. É uma paixão adúltera a que nutre pelas duas capitais. Ultimamente, tem vivido mais lá do que cá. É que finalizou, sábado passado, as gravações de seu novo álbum, previsto para ser lançado no início de julho pela gravadora Jam Music. Hoje, ele volta a São Paulo para se apresentar no Supremo Musical, voz e violão, e mostrar ao público algumas das novas canções.O nome do álbum ainda é uma incógnita. Sabe-se que é um disco de samba - no sentido aberto do gênero -, gravado com instrumentistas bambas do Rio de Janeiro. Entre as feras que o acompanham estão Paulão, produtor musical de Zeca Pagodinho, Mauro Diniz, virtuoso cavaquinista, e Carlinhos Sete Cordas. O disco reúne doze faixas. Nove delas são de Viáfora, com ele mesmo, duas em parceria com Ivan Lins e uma com Vicente Barreto.Dois fatos chamaram a atenção do compositor nesse período em que esteve enfurnado no estúdio da Jam, na Barra da Tijuca. O carinho e a qualidade dos músicos que participaram das seções de gravação. Viáfora não sabia exatamente o que lhe aguardava quando optou por gravar no Rio. Surpreendeu-se. Atribui o mérito para A Cara do Brasil, trabalho bem recebido pela imprensa carioca. ?A Cara do Brasil tinha aberto minhas portas do Rio, a porta da imprensa, a porta da crítica, mas eu não tinha avaliado ainda o quanto isso tinha repercutido no meio dos músicos, e com esse disco pude perceber. Foi um momento muito especial para minha carreira?, diz.Salgueiro e Corinthians - Segundo o músico, o novo álbum começou a ser pensado há quatro anos, quando ele se aproximou da ala dos compositores da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro. Na época, Celso estava divulgando Paixão Candeeira. Por um Fio, música que narra a história da porta-bandeira Taninha, do Salgueiro, obteve grande repercussão. A moça foi protagonista de um dos momentos mais emocionantes do carnaval daquele ano ao tropeçar num fio e cair na Marquês de Sapucaí na frente dos jurados. A falha foi relevada e ela ficou com a nota dez. O samba-crônica agradou o pessoal da escola, e Celso desfilou no ano seguinte com a ala dos compositores. Realizou um sonho de menino. Sempre que pode, ele afirma: ?Sou tão salgueirense quanto sou corintiano?.No início do ano, quando sentou-se com Jane Duboc e Paulo Amorim, donos da gravadora Jam Music, para apresentar as novas composições, chegou à conclusão que o essencial eram os sambas que estavam no balaio. Ficou claro, para os três, que era a hora de explorar o gênero, descartando, inclusive, grande parte das músicas compostas com Ivan Lins, parceria que tem rendido a Viáfora reconhecimento. Por vir de dois discos autorais, em que além de compor e cantar também se preocupou com os arranjos, o músico queria algo diferente. Para a produção executiva convidou o maestro Rildo Hora, que, envolvido com outros projetos, não aceitou, mas se dispôs a escrever dois arranjos.Sólidas Parcerias - O trio resolveu então descartar a figura do produtor executivo. Conceberam em conjunto o conceito do álbum. Viáfora, versado em direção de estúdio, acumulou a função e Jane Duboc fez a direção vocal. Com isso, sobrou tempo e dinheiro para convidar para o baile outros maestros, representantes da fina flor carioca. Um deles é Paulão, que escreveu arranjos para duas músicas. O outro é Ivan Paulo, que ficou com sete. O disco também traz ilustres parcerias. Beth Carvalho canta em dueto com Viáfora Chora (Celso Viáfora), Ivan Lins e o MPB-4 participam de Diplomação (Celso Viáfora e Ivan Lins), e Arlindo Cruz toca banjo em Dia Lindo (Celso Viáfora).Participação mais do que especial é a do Barracão dos Sonhos da Comunidade Paraisópolis, grupo criado há dois anos pelo percussionista Dinho Rodrigues na favela paulistana. Atualmente, o trabalho social reúne 200 crianças, aprendizes de percussão e cidadania. A força da comunidade organizada só tem trazido bons frutos para a região. Do início até hoje, devido à ação dos meninos, foram criados uma fábrica de produção de adereços para escola de samba, um posto avançado do hospital Albert Einstein, um cinema e um programa de coleta seletiva de lixo.

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