CDs de Lily Allen e Gnarls Barkley chegam ao Brasil

Gnarls Barkley. Quem diria que com um nome desses, pra lá de esquisito, anticomercial e de pronúncia embolada, o duo formado pelo vocalista Cee-Lo e pelo produtor Danger Mouse faria tanto sucesso? E, melhor, mudando os parâmetros de vendas ao contradizer as velhas regras do mercado. Com a canção Crazy, carro-chefe do álbum St. Elsewhere (que acaba de sair no Brasil pela Warner), a dupla cravou seu nome na história em março por um feito inédito: foi o primeiro nome a chegar ao topo da parada britânica com venda exclusivamente pela internet.Outro fenômeno on line que se seguiu a eles foi a novata galesa Sandi Thom, de 24 anos, que, com I Wish I Was a Punk Rocker, desbancou o Gnarls depois de nove semanas no topo do hit parade. Lily Allen, de 21 anos, que terá o álbum de estréia, Alright, Still, lançado aqui no início de agosto pela EMI, é o mais recente exemplo do uso eficaz dessa ferramenta, que ajudou a projetar o quarteto Arctic Monkeys, entre outros.Disponibilizar canções para download, de graça ou não, tem sido um bom termômetro do gosto do público, que tem acesso a artistas que não aparecem na TV, não tocavam no rádio até virar fenômeno virtual e poupam despesas com publicidade. O curioso - e isso também já deixou de ser novidade - é que, ao contrário do que pressupõem os caquéticos executivos das grandes gravadoras, esse procedimento tem impulsionado a venda dos CDs físicos.Melhor ainda é constatar que parte do que tem caído na preferência popular não é de todo destituída de conteúdo, o que derruba mais preconceitos. É o caso do excelente St. Elsewhere, do Gnarls Barkley, que tem muito bem durável além da já clássica Crazy. Pouco importa se eles já foram atropelados desde então pelo volúvel rodízio do consumo digital: este é um dos CDs do ano que valem cada faixa.Com seu atraente amálgama de soul, gospel, pop, hip-hop, rap old school, deep house, porções de psicodelia, entre outras fontes, o projeto sonoro é um feliz casamento das idéias de Danger Mouse com a voz contundente, impressionante, de Cee-Lo, que remete à dos grandes cantores do soul dos anos 60. Bom humor e apelo dançante complementam a receita.O CD abre com Go-Go Gadget Gospel, com uma introdução tão irresistível quanto à de Crazy; manda ver um tocante baladão (St. Elsewhere); faz tremer em seguida com o mix de new wave/surf music de Gone Daddy Gone; mergulha no mais básico rhythm?n?blues (Smiley Faces); e muitos outros achados.Desbocada e cuidadosamente desleixada, com ar de rebelde sem causa, Lily Allen parece ser uma espécie de Pitty britânica melhorada, cruzada com Pink. Tem atrativos de sobra para conquistar adolescentes, como letras confessionais e canções contagiantes. Seu primeiro single, LDN, tem vigoroso apelo por conta da mistura dançante que inclui batidas de dance, funk, calipso e reggae. Entre suas influências ela lista T. Rex, The Specials, Happy Mondays e drum?n?bass.Menos interessante do que LDN, o segundo single, Smile, é um ska e tem um videoclipe em que ela se vinga da traição do namorado de maneira cruel e divertida. Cinco faixas do álbum (incluindo as duas citadas) e dois bons mixes podem ser ouvidos no site da cantora e compositora. O clipe também está lá e as amostras dão sinais de uma carreira promissora. Já leva vantagem por não ser mais uma sub-Britney Spears piegas e gritalhona.

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