CD tem sucessos de Nelson Gonçalves

Nelson Gonçalves passou toda acarreira sob contrato de uma só gravadora, a BMG (na época emque começou, chamava-se RCA). É a BMG que lança a trilha sonorado docudrama sobre o cantor. Como o filme, o CD leva o nome do protagonista. São 17 faixas, seus maiores sucessos. A primeira é AVolta do Boêmio, de Adelino Moreira. Gravada em 1957, deu aomitônomo Nelson Gonçalves o mote de que precisava para alimentara figura pública. Ele era o Boêmio, com letra maiúscula, oboêmio por excelência, o exemplar. No ano passado, o filólogo e pesquisador Marco AurélioBarroso lançou um livro - A Revolta do Boêmio, edição doautor - em que busca desmistificar a criatura que NelsonGonçalves alimentou como persona pública: o gigolô, o boxeador,o homem que venceu as drogas sem auxílio de médicos, apenas coma força de vontade, aquele que, para cada disco lançado, gravavamais um, que ficava guardado para lançamento depois de suamorte. Barroso descobriu que nada disso era verdade. O livro sustenta que o cidadão Antônio Gonçalves (era onome verdadeiro) e o cantor Nelson Gonçalves jamais seencontraram. Nelson não sabia quem era. Verdade. O livro tentajuntar os dois. Importa pouco. Se Nelson não houvesseincorporado aquele tipo, se não houvesse criado ou fantasiadoaquelas histórias, se não alimentasse a lenda do machão latino,não teria construído a obra que construiu.Pois toda a obra - pense-se em Camisola do Dia ou Pensandoem Ti, ambas de Herivelto Martins e David Nasser, em NovaIlusão, de Claudionor Cruz e Pedro Caetano, em Normalista,de Benedito Lacerda e - mais uma vez - David Nasser. Eranecessário aquele tipo que Nelson forjara para cantar dignamentetais canções. A trilha sonora inclui, além das mencionadas, a valsaMaria Bethânia, de Capiba. Ouvindo-a, o menino CaetanoVeloso, criança de Santo Amaro da Purificação, escolheu o nomeda irmãzinha que acabava de nascer.

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