CD póstumo mostra legado deixado por Elvin Jones

Para celebrar seu 72º aniversário, o baterista norte-americano Elvin Jones chamou alguns amigos para tocar no Blue Note, em Nova York, em setembro de 1999. Por duas noites seguidas, Jones mostrou para uma privilegiada platéia porque era considerado um dos maiores músicos de jazz do planeta.Agora, seis meses após sua morte - vítima de complicações cardíacas - a gravadora Half Note lança esse encontro sob o título de The Thuth: Heard Live at the Blue Note, onde Jones está acompanhado por Michael Brecker e Antoine Roney (saxofone), Robin Eubanks (trombone), Darren Barrett (trompete), Carlos McKinney (piano) e Gene Perla (baixo).O CD tem um repertório conciso e bem escolhido para esse tipo de formação. Jones abre com uma composição própria, ?E.J.´s Blues?, com Barrett no comando do trompete. Outra música para tirar o fôlego do ouvinte é ?Straight No Chaser?, composta por Thelonious Monk, e que aqui é guiada pelo trombonista Eubanks, com Jones quebrando tudo na retaguarda. O hard bop também manda na faixa ?Three Card Molly?.Mas o disco não seria tão bom se o saxofonista Michael Brecker não estivesse em uma noite tão inspirada. Seu solo na clássica ?Body and Soul? é a síntese do que um músico de jazz é capaz de fazer com seu instrumento. O sax também reina na singela ?Thuth?, escrita por Jones. Para fechar a noite, o sexteto ataca com ?Wise?, gravada e composta em 1964 por John Coltrane, que na época tinha em seu quarteto, além do próprio Jones, McCoy Tyner (piano) e Jimmy Garrison (baixo). Tocando com feras como Coltrane, Miles Davis, Bud Powell, Sonny Rollins e tantos outros, Elvin Jones escreveu seu nome entre os grandes do jazz e se tornou sinônimo de bateria ao lado de Max Roach, Art Blakey e Gene Kruppa. Para quem acha que o baterista é apenas coadjuvante em um grupo musical, Elvin Jones servirá como uma nova estrada a ser percorrida e entendida.

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