CD homenageia escolas de samba

Será lançado amanhã em Brasília, emgrande estilo, o CD Clássicos do Samba, que junta nomesconsagrados como Martinho da Vila, Dona Ivone Lara e Jamelão e aOrquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Pelamanhã, haverá solenidade no Palácio do Planalto. À noite, umshow grátis para 2 mil pessoas no Teatro Nacional, com telões dolado de fora e reapresentação na quinta-feira. O disco vaiamanhã para as lojas de todo o Brasil.O CD é um projeto do Ministério da Cultura e faz partedas comemorações pelo mês da Consciência Negra, novembro. "Aidéia do disco é ser um símbolo do reconhecimento do Estado aotrabalho de todas as escolas de samba para o desenvolvimento damúsica popular brasileira e também o reconhecimento da culturanegra no Brasil", afirma o ministro da Cultura, FranciscoWeffort. Na solenidade pela manhã, com o presidente FernandoHenrique Cardoso, as escolas de samba Mangueira, Portela, Unidosde Vila Isabel e Império Serrano ganharão medalhas da Ordem doMérito Cultural.O repertório do CD foi escolhido entre as músicas maisconhecidas dessas quatro escolas de samba e faz jus ao títulodele. Só entraram clássicos do samba como Feitiço da Vila,de Noel Rosa e Vadico; As Rosas não Falam, de Cartola; FoiUm Rio Que Passou, de Paulinho da Viola; Sonho Meu, deDona Ivone Lara e Délcio Carvalho; e Piano na Mangueira, deTom Jobim e Chico Buarque."Tem músicas que eu já ouvi mais de 50 vezes eminterpretações diferentes, todas de grande qualidade e, mesmoessas, alcançaram uma nova forma de expressão, num processo deauto-superação. Esse CD é um bombom fino, é uma das coisas maisbonitas que o Brasil já produziu em música", diz Weffort."Esse é o maior disco de samba já feito no Brasil", acrescentao músico Rildo Hora, produtor do CD, da gravadora Eldorado.Os sambas são interpretados por cantores ligados a cadauma das escolas de samba escolhidas. Jamelão canta os sambas daMangueira. Martinho, os da Vila. Dona Ivone Lara interpreta osclássicos da Império Serrano e Eliane Faria - mais jovem dogrupo, com 36 anos -, as músicas da Portela, algumas com avelha-guarda da escola. Ao todo são 13 faixas, três por escolade samba e a última com trechos de quatro músicas, uma de cadaescola.Todas as faixas, com exceção da primeira (Tié/Andeipara Curimá, de Dona Ivone Lara, Fuleiro e Tio Hélio), têm aparticipação da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional CláudioSantoro, sob a regência do maestro Sílvio Barbato, que sedeclara mangueirense convicto. "Ouvir Jamelão interpretando AsRosas não Falam emociona tanto quanto ouvir Bidu Sayão (cantoralírica) cantando as Bachianas n.º 5, de Villa-Lobos."Emissoras de rádio - Weffort quer mais espaço nas rádios para o samba e para osjovens compositores ligados às escolas. "Poderíamos ter algumtipo de programa para dar às canções de raiz da música popularbrasileira mais espaço nas rádios", declara ele. "Temos de tentar dar a esses compositores do morro umadefesa diante do fenômeno do jabá", afirma,referindo-se à prática de programadores musicais de rádiosoptarem por tocar muitas vezes músicas definidas pelasgravadoras como "faixas de trabalho" para se tornarem sucesso domomento.Para o ministro, "há muitos artistas que poderiam termais luz do que têm hoje, porque têm qualidade". De acordo comWeffort, "a chance da música do morro, do povo pobre, é menorque de alguém do asfalto, para usar uma linguagem antiga, e porisso acontecem absurdos como uma figura como Cartola ter ficado tanto tempo na sombra."Recentemente, Weffort pediu apoio da BR Distribuidorapara um projeto deste tipo nas rádios. Seu pedido foi feito napresença de músicos da Mangueira, da Portela, da Vila, daImpério Serrano e de maestros de formação clássica, durantereunião de trabalho para o lançamento do CD Clássicos doSamba, apoiado pela empresa.As declarações de Weffort foram dirigidas a Luiz Macedo,gerente de comunicação da BR Distribuidora, empresa que tem sido com a Petrobras, a maior patrocinadora de eventos culturais noBrasil. A proposta do ministro empolgou a veterana compositora ecantora D. Ivone Lara. "Todo mundo elogia nosso trabalho, masquando chega a hora de ir para o rádio, não tendo jabá,desaparece", comenta Dona Ivone. De acordo com ela, seu novodisco, Nasci para Sonhar e Cantar, será lançado em Nova Yorkno fim deste mês e "está indo bem na França, mas aqui nem seouve falar".Segundo a proposta de Weffort, os sambas poderiam serentregues nas rádios "em uma espécie de pacote montado commúsicas selecionadas". O ministro ainda não sabe que tipo deestímulo poderia ser dado, nem se poderia ser um incentivofiscal, mas se declarou contra restrições e novos impostos."Quero mais lugar para o samba e não menos para outros tipos demúsica. Que as rádios toquem axé, sertanejo e também samba."Macedo não disse nem sim nem não para a idéia, apenascitou outros projetos da BR Distribuidora de apoio à música,como o MPBR, que consiste em levar grandes nomes da MPB a darshows por R$ 10. Outro projeto citado por Macedo e que está para começarnas escolas de todo o Brasil é voltado para as crianças eidealizado pelo produtor cultural Hermínio Bello de Carvalho."Vamos distribuir partituras, material sobre a história dosinstrumentos e CDs com músicas de compositores como NélsonCavaquinho para tirar crianças da criminalidade e ter um celeirode músicos", diz Macedo.

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