Paulo Sabugosa
Paulo Sabugosa

CD estreita laços entre Menescal e Quarteto do Rio

Ex-Os Cariocas, grupo vocal lança em shows ‘Mr Nossa Nova’, com repertório clássico e recente do músico

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2017 | 06h00

Com carreiras paralelas, Os Cariocas e Roberto Menescal se encontram musicalmente há cinco décadas. O conjunto vocal lançou composições dele no passado e incluiu faixas em cada um de seus discos de bossa nova. Renomeado Quarteto do Rio e com dois integrantes mais jovens, o grupo agora estreita ainda mais os laços com Menescal em Mr Bossa Nova, só com repertório assinado por ele, das velhas parcerias com Ronaldo Bôscoli a novas, com Paulo Sérgio Valle.

No CD, o Quarteto – Eloi Vicente (violão/voz), Neil Teixeira (baixo/voz), ambos n’Os Cariocas por mais de 20 anos; Fabio Luna (bateria/flauta/voz), que entrou em 2010; e o novato Leandro Freixo (piano/voz) – incluiu o Menescal-Bôscoli mais clássico: Rio, Ah! Se Eu Pudesse!, Nós e o Mar, O Barquinho, Você, A Volta e A Morte de Um Deus de Sal. As novidades são Ela Quer Sambar e Você me Ganhou, de Paulo Sérgio Valle, e Um Tiquinho Só, com a cantora Andréa Amorim. 

Alguns arranjos vocais que eles vêm apresentando nos shows de lançamento são da época d’Os Cariocas, de autoria do maestro Severino Filho (1928-2016); os do CD foram criados por Eloi Vicente e Neil Teixeira, e mantiveram a mesma assinatura harmônica que fez a fama do conjunto.

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No palco, além das melodias do Mr Bossa Nova, eles cantam também Tom Jobim: Inútil Paisagem e Só Danço Samba. O arranjo dessa última foi escrito coletivamente em 1962 pelo próprio Tom, pelos Cariocas e também por João Gilberto.

Desde que o grupo nasceu, nos anos 1940, Menescal, violonista que se tornou músico profissional em 1955, vem sendo o autor mais gravado, conta Neil Teixeira, junto com Tom, Marcos Valle e Ismael Netto – fundador, com Severino Filho, Salvador, Ari Mesquita e Tarquínio. A relação se intensificou também porque o conjunto lançou discos pela Albatroz, gravadora de Menescal, ele lembra.

“Estou fazendo um resgate, uma continuidade do que já existia com Os Cariocas. Sempre fomos bastante ligados. Eles lançaram Amanhecendo e Madame Quer Sambar (parceria com Joyce e Carlos Lyra). Em cada disco deles tinha sempre músicas minhas”, rememora Menescal, que celebrou 80 anos em 2017.

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À guitarra, ele tocou com o grupo semana passada e repete a dose no próximo dia 15, na Sala Baden Powell, em Copacabana, com participação da amiga Wanda Sá. “Convivi com Os Cariocas em várias formações e estou muito impressionado com a jovialidade deles. A entrada dos integrantes mais novos deu um gás. Achei o máximo eles terem continuado juntos”, diz o compositor, que se surpreendeu com a mudança de nome.

Isso aconteceu porque a atriz Lucia Verissimo, filha de Severino Filho, que detinha a marca, proibiu seu uso após a morte do pai, em março de 2016. O Estado não conseguiu contato com Lucia. Ao jornal O Globo, ela afirmou recentemente que o grupo morreu junto com seu pai. 

Sem querer polemizar, Neil Teixeira conta que a melhor solução foi o rebatismo: “Foi difícil porque já estávamos marcados como Os Carioca. Ensaiamos com Severino mesmo no hospital, nos mantivemos unidos. Fui eu que reconheci o corpo dele. Mas o que importa é que estamos felizes com o novo trabalho”.

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