CD duplo faz lembrar Moacir Santos

Moacir Santos. Sabe quem é? Se sabe, parabéns - significa que nem toda a memória musical brasileira se apagou. Se não sabe, não precisa se envergonhar: dos anos 70 para cá, fez-se de tudo (com grande sucesso) para o Brasil esquecer ou ignorar muitos dos seus verdadeiros criadores musicais. Mas nem tudo está perdido. A existência de um disco como Ouro Negro, gravado em fevereiro no Rio e já na praça, prova que a esperança compensa. Ouro Negro é um arrepiante CD duplo, dedicado à obra de Moacir Santos, com 28 faixas e participação da elite dos instrumentistas e cantores do País. É o disco do ano e vem corrigir uma injustiça de décadas. Afinal, quem é Moacir Santos? Compositor, arranjador, maestro, professor e, até ser acometido por um derrame há alguns anos, um multiinstrumentista, com especial xodó pelo piano e pela família dos saxes. Está hoje com 75 anos, dos quais os últimos 34 morando na Califórnia - o que também contribuiu para que o esquecêssemos. "Ao aborígine não é permitido sair da taba", dizia Tom Jobim. Pois Moacir, como outros, foi uma vítima desse perverso traço nacional - com a agravante de que foi esquecido antes de ficar conhecido. Quando trocou o Rio por Los Angeles, em 1967, era famoso apenas por uma referência numa canção de Baden Powell e Vinícius de Morais, o Samba da Bênção ("A bênção, Moacir Santos, tu que não és um só, és tantos"), o que levava muitos a perguntar: "Quem é?" A resposta estava em outra música, bastante conhecida na mesma época, mas que poucos sabiam dizer de quem era: Nanã, sucesso de Nara Leão, Wilson Simonal e de uma quantidade de trios, conjuntos e orquestras. A soma desses fatores daria Moacir Santos. Clique aqui para ler mais sobre Moacir Santos

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