CCBB lembra os 100 anos de Verdi

O Centro Cultural Banco do Brasilinicia amanhã, em São Paulo, sua homenagem ao centenário damorte do compositor italiano Giuseppe Verdi, morto em janeiro de1901. Serão quatro terças-feiras, com recitais sempre às 13 e 17horas, nas quais cantores em sua grande maioria nacionais vãointerpretar trechos de todas as óperas do compositor, incluindoas versões e revisões de algumas delas feitas pelo própriocompositor. O acompanhamento musical será feito pela pianistaVânia Pajares e a ambientação cênica é do carioca André Heller,que acabou de assinar a direção da ópera L´Oca del Cairo, deMozart, no Teatro São Pedro.No programa de amanhã, estão óperas do início dacarreira de Verdi, muitas delas pouco conhecidas do públicobrasileiro: Oberto, Conte di San Bonifacio, ópera de1839, Un Giorno di Regno, de 1840, Nabucco, de 1842, I Lombardi Alla Prima Crociata, de 1843, Attila, de 1846,e Macbeth, de 1847. No elenco, a soprano Celinelena Ietto, ameio-soprano Luciana Bueno, o tenor Eduardo Itaborahy, obarítono Sandro Cristopher e o baixo Pepes do Valle. Tambémparticipa o barítono Andrea Ramus, que vai interpretar o próprioVerdi, dando unidade à concepção cênica.Cartas - Segundo André Heller, a idéia ao compor oroteiro do espetáculo foi deixar que o próprio Verdi"falasse". Para tanto, são utilizados trechos de cartastrocadas, por exemplo, entre Verdi e sua mulher, GiuseppinaStrepponi (que será interpretada pela célebre soprano Niza deCastro Tank), ou o libretista de Otello e Falstaff, ArrigoBoito.Heller indica que a própria concepção cênica tem comointenção essa recriação do universo de Verdi que ele própriodeixou às gerações seguintes por meio de cartas e ensaios. "Opalco será transformado em um salão da casa de Clara Maffei,onde acontece uma espécie de sarau verdiano, em que os cantoresestarão sentados e Verdi estará lembrando os momentos principaisde sua vida e carreira."Todo o figurino vai remeter ao fim do século 19, épocada morte de Verdi, assim como, segundo Heller, a palha espalhadapelo chão faz alusão ao fato de que, quando Verdi já estavamuito doente, as pessoas espalharam palha nas ruas próximas àsua casa para evitar o barulho provocado pelos cavalos quepassavam.Além da concepção cênica, Heller também assina a direçãogeral do espetáculo e coube a ele a escolha dos trechos a serinterpretados. "Duas coisas estão na gênese do projeto: aprimeira é que houvesse trechos de todas as óperas de Verdi e asegunda é que, como Verdi escreveu certa vez que não conseguiajulgar um cantor se ele não estivesse em cena, pudéssemosencenar os trechos escolhidos." Afinal de contas, o próprioHeller ressalta, a música de Verdi é essencialmente dramática.O critério para a escolha dos trechos, Heller reconhece,acaba sendo influenciado por escolhas pessoais, mas ele ressaltaque a intenção foi unir cenas bastante populares com outraspouco conhecidas. "A ária O Don Fatale, do Don Carlo, porexemplo, é bastante conhecida, mas vai ser interpretada naversão em francês, que é a menos conhecida do público."Viva Verdi. Amanhã(16), às 13 e às 17 horas. R$ 6,00.Centro Cultural Banco do Brasil - SP. Rua Álvares Penteado, 112,tel. 3113-3600. Até 6/11.

Agencia Estado,

15 de outubro de 2001 | 16h23

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