Catedral emplaca hits longe do gospel

Na contra mão de Rodolfo, que abandonou o radicalismo dos Raimundos para entoar hinos evangélicos, a banda Catedral engavetou a Bíblia para ganhar reconhecimento com o rock pop. Há um ano e meio investindo nesse objetivo, Kim, Júlio, Cezar e Guilherme já lançaram dois CDs e concorreram na categoria melhor do ano na escolha da audiência ao Vídeo Music Brasil (VMB) da MTV deste ano - que acabou ficando com a banda Charlie Brown Jr.O que os meninos cariocas não esperavam com a mudança é que seriam pegos pela inquisição. O preconceito veio de dentro e de fora da Igreja, segundo Kim, 33 anos, o vocalista. Acusações de heresia de antigos fãs chegaram a eles por cartas e e-mail - até home-page contra a banda apareceu na rede - e a gravadora MK Publicitá, evangélica, rescindiu contrato que mantinha com Kim como artista solo. "Fomos jogados na fogueira", desabafa o vocalista. "Mas ao contrário do que muitos esperavam, estamos conseguindo dar certo." Mesmo com a conversão do Catedral, Kim e seus companheiros continuam protestantes. "Apenas cansamos de misturar trabalho com fé e religião", diz. Fizeram isso por 13 anos. Ao contrário do que se pensa, o rock entrou antes da religião na vida desses rapazes. O grupo foi formado em 1987 por Kim, seus irmãos Cezar (guitarrista) e Júlio (baixista) e um amigo, Guilherme (baterista).A religião, por meio da gravadora Pioneira - que conheceu a banda em festivais de música nos quais faziam pequenas participações - abriu as portas para o mercado fonográfico. A explicação para a passagem para o grande mercado depois de dois milhões de cópias vendidas dos 11 discos gospel é simples: "Não tínhamos mais motivação naquele mercado. Não tínhamos mais para onde crescer."Na nova gravadora, a Continental, o primeiro CD, Para Todo Mundo, lançado ano passado, ainda tinha traços de discussão religiosa nas letras. Vendeu 70 mil cópias. Com o segundo, Mais do Que Imaginei, a banda considera a consolidação da passagem para o mercado popular. O carro-chefe do disco, Eu Amo Mais Você, já está tocando incansavelmente nas rádios.Legião - Quem já ouviu pelo menos uma música do Catedral certamente não pôde evitar a comparação do timbre de voz de Kim com o de Renato Russo, do Legião Urbana. O que ele acha engraçado e ao mesmo tempo negativo. "Alguns críticos fazem comparações pejorativas.Nossos graves são parecidos, mas nunca poderia me comparar a Renato", diz lembrando que o que ambos tem sim em comum é a admiração por Elvis Presley. "Legião é um mito, e nós ainda não somos nada perto do que eles significaram para a história do rock nacional."

Agencia Estado,

23 de agosto de 2001 | 11h15

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