Rodolfo Cemin
Rodolfo Cemin

Catavento mostra, com novo disco, 'Ansiedade na Cidade', que a maturidade também tem devaneios

Agora um septeto, banda de Caxias do Sul lança o terceiro disco, na sexta-feira, 3

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2018 | 17h41

De Caxias do Sul, vinha uma insanidade sonora chamada Catavento. Pipocavam bandas com um ou os dois pés na psicodelia nacional e gringa – liderada por grupos como o australiano Tame Impala. A Catavento trazia suas pirações estéticas e sonoras, mas não se prendia a elas. Porque a psicodelia, em estado puro, tem as amarras frouxas para a experimentação, mas, por conta da experiência sensorial que seu tipo de música propõe, também aprisiona os artistas na vagareza das batidas por minuto desaceleradas. 

A Catavento mandava as convenções às favas. O primeiro disco, de 2014, chamado Lost Youth Against the Rush, era tão pancada que parecia ser um álbum perdido de punk furioso nascido em uma cidade mais ensolarada do que aquela Nova York de meados dos anos 1970. 

No retorno ao estúdio, para o álbum Chá, de 2016, o grupo tomou consciência da própria musicalidade. Fica claro como músicas como City’s Angels já abriam a cabeça do grupo, então um sexteto, para a criação de espaço dentro das suas canções. Começa ali a brasilidade nas canções deles. 

A maturidade de quem não tem mais seus 20 e poucos anos de idade, somada à vivência de quatro anos na estrada e à experiência de ter um selo próprio, o Honey Bomb Records, moldam as cabeças dos agora sete integrantes do Catavento. E se escancara em Ansiedade na Cidade, um disco realizado com o auxílio do edital Natura Musical, a ser lançado nas plataformas digitais nesta sexta-feira, 3. 

Sem a necessidade de encaixotar suas referências todas de uma vez só – o que fazia sentido pela euforia da juventude dos rapazes e ainda é bom voltar a ela, vez ou outra –, a banda escancara que pode soar tropical, viajante e classuda, com a adição de linhas de teclas e saxofone. “Com o tempo, tivemos consciência de que começamos a ficar mais angustiados com o que acontece ao nosso redor”, explica Leonardo Sandi, um dos vocalista e compositores da banda, “mas, ao mesmo tempo, temos a ideia de encarar tudo isso em paz, com calma”. 

O resultado sonoro, em Ansiedade na Cidade, segue por essa linha. As músicas habitam um yin-yang muito particular da Catavento, no qual caos e calmaria, juventude e maturidade, fúria e paz coexistem em um ecossistema saudável. Sensações opostas, sim, mas que na mão do septeto, fazem sentido muito próprio. 

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