Youssef Boudlal/Reuters
Youssef Boudlal/Reuters

Cat Stevens, hoje Yusuf, finalmente toca no País

Um dos maiores baladeiros dos anos 1970 tem 3 shows confirmados no Brasil

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2013 | 19h32

É só um homem e seu violão, mas quanta amplidão ele já comunicou em 50 anos de carreira. Foi anunciado ontem o primeiro show no Brasil do britânico Cat Stevens (cujo nome atual, após a conversão ao islamismo, é Yusuf Islam). Ele canta em São Paulo nos dias 16 e 17 de novembro, no Credicard Hall, e no dia 20 de novembro no Rio de Janeiro, no Citibank Hall.

A geração que foi adolescente nos anos 1970 teve em suas canções folk, como Wild World, Morning Has Broken, Two Fine People, Moonshadow e Father and Son, algumas das mais assíduas companheiras de jornada por aquela década. Sua influência se estende até muitas bandas contemporâneas – não por acaso, Islam farejou um princípio de plágio do Coldplay em If I Could Fly, que lhe pareceu estruturalmente igual à sua canção Foreigner Suite.

Nascido Steven Demetre Georgiou há 64 anos, filho de pai greco-cipriota e mãe sueca, Cat Stevens surgiu no fim da década de 60 na esteira do sucesso dos cantores-compositores como Bob Dylan, James Taylor, Joni Mitchell. No auge do sucesso, esteve no Brasil três vezes, entre 1970 e 1974, mas nunca tinha feito show no País.

Converteu-se ao islamismo em 1977, época em que abandonou momentaneamente a carreira. Desde então, foi envolvido em várias polêmicas envolvendo o islamismo, a mais cruel dessas polêmicas a deportação dos Estados Unidos em 2004. Ele tinha embarcado em Londres, no aeroporto de Heathrow, no voo 919 da United Airlines, com destino a Washington. Viajava com a filha e iria para Nashville quando o avião teve sua rota desviada e ele foi preso e deportado.

O governo britânico protestou por sua expulsão dos Estados Unidos, mas o então secretário de Estado americano, Colin Powell, respondeu: “Em relação a Cat Stevens, nossas agências de segurança encontraram informação vinculada a suas atividades pela qual, segundo nossas leis, se requeria a proibição de sua entrada nos Estados Unidos”, respondeu Powell.

Yusuf Islam escreveu sobre o episódio. “Este é o mesmo planeta de onde decolei? Eu estava arrasado. O mais inacreditável é que apenas 2 meses antes eu mantive encontros em Washington com funcionários do Escritório da Casa Branca para Ações Religiosas e Comunitárias, para falar sobre meu trabalho de caridade. Um mês após os ataques ao World Trade Center eu estava em Nova York com Peter Gabriel e Hillary Clinton no Fórum Econômico Mundial! Será que eu mudei tanto? Não. O que houve foi o surgimento do atual procedimento indiscriminado de encaixar as pessoas em categorias”, afirmou. “Eu sou vítima de um sistema injusto e arbitrário, imposto apressadamente, que serve apenas para depreciar a imagem da América como defensora das liberdades civis pelas quais tantos lutaram e morreram pelos séculos.”

Ele também gravou discos como Yusuf Islam, o mais recente Roadsinger (2009), com convidados como James Morrison, Michelle Branch e Holly Williams. No mesmo ano, voltou a fazer shows na América após 33 anos, cantando para 400 fãs em Los Angeles. “Pensavam que eu nunca conseguiria, né?”, brincou.

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