Cássia Eller apresenta seu "Acústico" em SP

Quem gosta do seu estilo, de pouca conversa, sem meias-verdades, pouco liga se ela entrou no esquemão dos acústicos. Ela diz que não entrou. Fez, como manda o seu figurino ousado, o que estava afim. Será com o repertório do seu Acústico MTV que Cássia faz show amanhã e sábado no Olympia. É também a primeira vez que apresenta o trabalho completo na cidade.Além de gravar as canções que marcaram a sua carreira, como Malandragem (Cazuza e Frejat), E.C.T (Nando Reis e Marisa Monte) e Por Enquanto (Renato Russo) no Acústico, ela promove uma aliança musical entre duas importantes pontas da música brasileira: a música de raiz de vigor eterno, como Vá Morar com o Diabo, de Riachão, e a atualíssima produção cultural das periferias, como De Esquina, do rapper Xis. Há esse forte conceito, mesmo que não tenha premeditado. "Não quero salientar nada. Somente quando faço um disco ele tem que ficar com a minha cara, e acredito que consegui", afirma ela, em recente entrevista por e-mail, anulando qualquer hipótese sobre a conceitualização do novo trabalho.Cássia não acredita que o formato acústico criado pela MTV há cerca de dez anos provoque um engessamento na sua expressão. "O Acústico MTV é um disco que tinha vontade de fazer desde que vi o do Gil. Adorei fazer esse disco e a interação com o público aconteceu, como pode ser vista na faixa do Riachão, na qual após errar a letra algumas vezes o público cantou e participou. Nem foi a melhor versão, mas decidimos colocá-la justamente para que o disco retrate realmente o que aconteceu durante a gravação", diz. "Esse Acústico foi superdivertido, pois ficamos ensaiando três semanas numa fazenda na serra do Rio e houve uma interação de todos que foram para lá, desde a equipe MTV, músicos, Nação Zumbi, etc. Quando chegamos a São Paulo para gravar, estávamos bem seguros e coesos."Sobre o repertório eclético, ela afirma que foi um processo de pesquisa iniciado no ano passado. "Luiz Brasil e Nando Reis (diretores musicais) tinham sugestões e foram me apresentando músicas, como o caso de Vá Morar com o Diabo. Eles queriam que cantasse outra música do Riachão e quando ouvi essa não tive dúvida. Gosto de todas as músicas desse disco."Desde a ocasião do lançamento, em maio, Cássia afirma querer cair no mundo com esse espetáculo. É totalmente compreensível para a sua personalidade que, no palco, se torna incontrolável. Mesmo no CD anterior, Com Você...Meu Mundo Ficaria Completo, no qual se propôs a uma interpretação mais comedida, quando as luzes se acendiam, Cássia retomava a sua melhor veia rock-n-´roll, com covers do Nirvana. Agora não o faz mas tem sempre guardado na manga o repertório de Cazuza, que sempre canta, em vários momentos, com mais punch que o próprio autor. Sem monotonia. Em Com Você... houve uma direção do Nando Reis. Acho que é uma evolução normal como a de um guitarrista que evolui na sua maneira de tocar. Adoro as composições de Nando. Mas não gosto de estúdio, prefiro gravar ao vivo."Cássia garante que vai agüentar apresentar-se nesse formato acústico da MTV. "A turnê que vamos fazer nesse ano é somente a do acústico e acredito que esse disco tenha uma grande vibração, até porque é um disco ao vivo", responde. Mas não chega perto da vibração daquele período, em 1998, em que se apresentava com dois violões.Além das velhas canções de guerra, Cássia também canta em Acústico as músicas Quando a Maré Encher, da Nação Zumbi, e Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band>, dos Beatles. As duas estão entre as boas releituras do disco. Vá Morar com o Diabo, Partido Alto, de Chico Buarque, e De Esquina são achados para o seu modo de interpretar. O mesmo não pode ser dito sobre Non, Je ne Regrette Rien que, no CD, tem arranjos rebuscados e destoam da verve rocker.Controvérsias à parte, no Acústico, Cássia olhou para as tendências, como o rap, pois crê na sua importância e verdade e também para uma obra que quase foi esquecida pelo País a de Riachão. Esse é o papel do intérprete.Cássia Eller. Sexta e sábado, às 22h30. De R$ 30,00 a R$ 70,00. Olympia. Rua Clélia, 93, tel. 3675-3999. Patrocínio: Chevrolet.

Agencia Estado,

09 de agosto de 2001 | 17h22

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