Mônica Zarattini/ Estadão
Mônica Zarattini/ Estadão

Cassia Eller: 15 anos depois, a falta que faz uma voz

Cantora morreu em 29 de dezembro de 2001; relembre algumas de suas interpretações

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

29 Dezembro 2016 | 12h41

Foi no penúltimo dia de 2001, há 15 anos, que o apagar do 'assombro' Cassia Eller fazia aquele ano terminar de forma amarga. A mulher que ressignificou a música pop no País assim que começou a equilibrar ira e doçura na mesma balança de sua voz incontrolável por ela mesma partiu sem anúncio. Cassia teve uma parada cardíaca e um tranco histórico, quase injusto. Saiu de cena com apenas 10 discos, quando mais se esperava de seu brilho.

O tempo provou que sua morte repentina e prematura não teria apenas a força momentânea para impulsionar as vendagens de seus discos. A carioca Cassia, patologicamente tímida, se tornava um vulcão no palco e conheceria mais cores de sua própria música com a ajuda de Nando Reis, que emprestou a ela canções que escreveriam sua história. "Foi ele quem me ensinou a cantar", disse certa vez em entrevista ao Jornal da Tarde, de São Paulo.

Cassia, 15 anos depois, faz falta em um momento de 'fofurismo' da música brasileira. Cantoras se espelham em um formato baseado no linearismo, no naturalismo. Uma condenação à empostação e à postura. Cassia era o avesso disso. Mesmo quando foi 'domesticada' pelos conselhos de Nando Reis, fez da sutileza uma arma a mais, não sua única arma. Sua voz trazia a experiência acumulada de uma vida de fortes emoções. Viver primeiro e cantar depois para cantar sempre.    

 

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