Caso Jackson tem depoimentos escandalosos

O julgamento do cantor Michael Jackson por abuso sexual de um menor foi retomado hoje, em uma nova semana de testemunhos tão escandalosos quanto duvidosos. Ao longo dos próximos dias irão depor no tribunal de Santa Maria novas testemunhas da acusação, como o ex-chefe de segurança do rancho Neverland, Christopher Carter. Ele faz parte da lista de nove testemunhas que o juiz Rodney Melville autorizou para demonstrar que o acusado tem um histórico de abuso de menores. Tratam-se de testemunhas de casos acontecidos há pouco mais de uma década e que nunca foram levados aos tribunais.Esta fase do julgamento está revelando as declarações mais escandalosas e que tem descrito Jackson em situações comprometedoras: tomando banho com um menor, acariciando a perna de outro ou praticando sexo oral na piscina.Também é um momento-chave para a defesa do cantor, que foi minando a credibilidade de todas estas testemunhas a quem apresentou como "mercenários" dispostos a tudo para ganhar dinheiro. Durante a semana passada o advogado Thomas Mesereau ressaltou que nenhum dos ex-empregados de Jackson chamados para depor denunciou à polícia os fatos relatados. Pelo contrário, todos eles tentaram vender suas declarações para a imprensa sensacionalista.Esta semana a mera chegada de Carter ao tribunal de Santa Maria (Califórnia) será outro momento teatral, pois a testemunha está sob escolta policial após sua recente detenção por assalto à mão armada e seqüestro.Hoje, a mãe do menino que fez um acordo multimilionário com Michael Jackson nos anos 1990 disse em seu depoimento que se recusou, num primeiro momento, a deixar o filho dormir na cama do cantor durante uma viagem a Las Vegas.A mulher disse que seu filho ficou no rancho de Neverland três vezes e perguntou, em uma delas, se poderia ficar no quarto de Jackson. Ela disse ter respondido "não". Depois, em uma viagem a Las Vegas, ela, o menino e a irmã dele ficaram na suíte de Jackson no hotel Mirage hotel, ela disse.Na segunda noite, ela disse, Jackson e o filho dela iriam assistir a uma apresentação do Cirque du Soleil às 23 horas. Ela disse ter recebido uma ligação da organização do evento dizendo que Jackson não apareceu e que ele e o filho dela apareceram no hotel meia hora depois. Naquele momento, o cantor teria perguntado, chorando, por que o menino não poderia dormir com ele. "Ele estava soluçando e chorando, tremendo", ela disse. "Ele disse ´Você não confia em mim? Somos uma família... (o menino) está se divertindo. Por que não pode dormir na minha cama? Não há nada errado´". Ela disse que, então, deixou o filho dormir com ele por duas noites. Alguns anos depois, o menino fez um acordo de mais de US$ 20 milhões de dólares com o cantor e nenhuma acusação foi feita contra ele. Hoje com 25 anos, o menino está fora do país e não pensa em participar deste julgamento do astro, declarou à TV NBC um tio da suposta vítima.Em um golpe para a acusação, o testemunho do ex-assessor de Jackson, Bob Jones, hoje, foi diferente do que a promotoria esperava dele. Segundo a acusação, Jones havia visto Jackson lambendo a cabeça de um menor numa viagem de avião na década de 1990, um comportamento semelhante ao que o cantor teria mantido com o jovem no centro da atual denúncia por pedofilia. No entanto, quando Jones foi perguntado no tribunal se havia presenciado este ato, o ex-assessor respondeu com um "não me lembro". (Leia aqui: Testemunha surpreende acusação de Jackson)Outra ausência no julgamento será a do ator Macaulay Culkin, amigo de Jackson que passou longas temporadas no rancho Neverland em sua infância e que, segundo alguns dos testemunhos ouvidos nos últimos dias, teria sido acariciado e tocado em suas partes íntimas pelo cantor. O protagonista de Esqueceram de Mim negou várias vezes a existência de qualquer comportamento indevido em sua relação com Jackson. Um porta-voz do ator insistiu hoje que seu representante não tomará parte no julgamento, nem como testemunha da acusação e nem da defesa como havia sido comentado no início do julgamento.

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